Estou diferente por dentro.
Acho que estou IN DIFERENTE.
terça-feira, 31 de março de 2009
Simplesmente Feliz
Fui ver o filme por falta de opção mesmo. Os demais em cartaz eu já tinha visto.
Me arrependi logo nas primeiras cenas...
A mulher ria o tempo todo. Não, não estou falando de alguém que estivesse comigo. A personagem, ela mesma.
Ria o tempo todo, das coisas mais banais. Não tirava uma meia arrastão de garçonete do Café Photo, Star Night ou mesmo do Cabaré da Gilda, e usava umas botas de fazer inveja no Chitãozinho e Chororó.
Parecia mesmo um retardada. Coisa de maluco!!
E não fica por aí não. Tem as amigas, mais doidas ainda. A turma de alunos da escola, a família.
Em todos os lugares ela se apresentava com aquele superficialismo de doer. De dar raiva.
E o filme vai..
Um humor pastelão aqui, uma cena engraçada acolá, e nada do filme engrenar.
Achei mesmo que ela era a versão feminina do Jerry Lewis que, diga-se de passagem, eu detesto.
Até que chegamos na cena do aluno-problema, e ela se depara com uma situação que requer seriedade, iniciativa. Achei que ia decolar daí, mas a cena só serviu para incluir um assistente social na estória. Um cara com quem ela vai se envolver.
Bem, aí você me pergunta:
- Esse envolvimento é o ponto central do filme? E eu lhe digo: - Não!! Esse envolvimento é só para criar o clima para o verdadeiro momento crítico do filme, a relação dela com o instrutor de auto-escola.
Gente, a cena do diálogo do instrutor de auto-escola com ela, depois que ele a vê beijando o assistente social é fantástica.
Nesse momento é que ela percebe o que estava fazendo.
Ela, que parece nunca ter lido o Pequeno Príncipe, se dá conta do tamanho da tristeza que ela provocou no Scott.
Ah! Quem é Scott? É o instrutor de Auto-Escola (matem saudade, o hifen está com os dias contados).
Tudo bem que o Scott seja um cara sistemático, quieto, calado, até sisudo. Mas ele era, antes de tudo, um carente. Um cara que amou a vida que fervilhava nela. Que encontrou nela a sua reconexão com o mundo.
E ela percebeu o que fez. Sentiu o peso da responsabilidade por ter cativado alguém.
E ela reconhece e tem que lidar com o problema.
E o filme termina com ela envolta em água, num lago, num grande útero. Não mais tão risonha quanto no início do filme, mas igualmente feliz.
Bem-vinda, maturidade.
Me arrependi logo nas primeiras cenas...
A mulher ria o tempo todo. Não, não estou falando de alguém que estivesse comigo. A personagem, ela mesma.
Ria o tempo todo, das coisas mais banais. Não tirava uma meia arrastão de garçonete do Café Photo, Star Night ou mesmo do Cabaré da Gilda, e usava umas botas de fazer inveja no Chitãozinho e Chororó.
Parecia mesmo um retardada. Coisa de maluco!!
E não fica por aí não. Tem as amigas, mais doidas ainda. A turma de alunos da escola, a família.
Em todos os lugares ela se apresentava com aquele superficialismo de doer. De dar raiva.
E o filme vai..
Um humor pastelão aqui, uma cena engraçada acolá, e nada do filme engrenar.
Achei mesmo que ela era a versão feminina do Jerry Lewis que, diga-se de passagem, eu detesto.
Até que chegamos na cena do aluno-problema, e ela se depara com uma situação que requer seriedade, iniciativa. Achei que ia decolar daí, mas a cena só serviu para incluir um assistente social na estória. Um cara com quem ela vai se envolver.
Bem, aí você me pergunta:
- Esse envolvimento é o ponto central do filme? E eu lhe digo: - Não!! Esse envolvimento é só para criar o clima para o verdadeiro momento crítico do filme, a relação dela com o instrutor de auto-escola.
Gente, a cena do diálogo do instrutor de auto-escola com ela, depois que ele a vê beijando o assistente social é fantástica.
Nesse momento é que ela percebe o que estava fazendo.
Ela, que parece nunca ter lido o Pequeno Príncipe, se dá conta do tamanho da tristeza que ela provocou no Scott.
Ah! Quem é Scott? É o instrutor de Auto-Escola (matem saudade, o hifen está com os dias contados).
Tudo bem que o Scott seja um cara sistemático, quieto, calado, até sisudo. Mas ele era, antes de tudo, um carente. Um cara que amou a vida que fervilhava nela. Que encontrou nela a sua reconexão com o mundo.
E ela percebeu o que fez. Sentiu o peso da responsabilidade por ter cativado alguém.
E ela reconhece e tem que lidar com o problema.
E o filme termina com ela envolta em água, num lago, num grande útero. Não mais tão risonha quanto no início do filme, mas igualmente feliz.
Bem-vinda, maturidade.
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Simplesmente Feliz
segunda-feira, 30 de março de 2009
Mnemosine
Ontem aprendi sobre essa deusa.
Nem sabia que ela existia, mas isso é um privilégio dos deuses.
Eles se mostram quando querem.
Mnemosine representa a memória.
Uma deusa das mais poderosas.
Assim como a memória, Mnemosine deve ter apelidos, não sei. Não cheguei ainda na sua intimidade.
Mas a memória tem.
A memória se chama recordação quando ela traz imagens boas de um tempo que já se foi.
Além de imagens, a recordação traz cheiros, pessoas, lugares, sentimentos.
Recordar é reviver novamente aqueles momentos. É ser feliz novamente.
Recordar é não deixar que a morte vença.
É trazer à vida aqueles a quem amamos, é mantê-los junto a nós, apesar da distância, do tempo, da dimensão.
A memória se chama remorso quando essas imagens são de coisas que não deveríamos ter feito.
De coisas que fizemos por culpa de nossa infantilidade, de nossa imaturidade, de alguma falta de paciência, de amor, de princípios ou valores.
O remorso é uma memória poderosa, que traz para o nosso corpo as dores que inputamos à alguém. O remorso é o castigo em vida, é a Lei de Causa e Efeito em ação.
O remorso é a lembrança de que devemos nos superar, crescer, evoluir, sublimar. E, por esse lado, também é uma dádiva de Mnemosine.
A memória também se chama saudade. Saudade é a memória dos amantes que se despedem.
É o rastro do amor que se vai, é a tristeza que se instala, a incapacidade de mudar o rumo das coisas.
A saudade, como já dizia o poeta, "a saudade mata a gente".
Mas a gente só tem saudade de amor que vale a pena, que é profundo, verdadeiro, digno.
"Ficar" não deixa saudade. Saudade é efeito colateral do amor verdadeiro.
Mas aí está Mnemosine, a grande deusa da memória.
Que ela permaneça em mim para sempre, por muitos e muitos anos, porque quando ela se vai,
se instala em nós um outro deus, muito poderoso.
Alzheimer, o deus do vazio, da vida sem memória..
Nem sabia que ela existia, mas isso é um privilégio dos deuses.
Eles se mostram quando querem.
Mnemosine representa a memória.
Uma deusa das mais poderosas.
Assim como a memória, Mnemosine deve ter apelidos, não sei. Não cheguei ainda na sua intimidade.
Mas a memória tem.
A memória se chama recordação quando ela traz imagens boas de um tempo que já se foi.
Além de imagens, a recordação traz cheiros, pessoas, lugares, sentimentos.
Recordar é reviver novamente aqueles momentos. É ser feliz novamente.
Recordar é não deixar que a morte vença.
É trazer à vida aqueles a quem amamos, é mantê-los junto a nós, apesar da distância, do tempo, da dimensão.
A memória se chama remorso quando essas imagens são de coisas que não deveríamos ter feito.
De coisas que fizemos por culpa de nossa infantilidade, de nossa imaturidade, de alguma falta de paciência, de amor, de princípios ou valores.
O remorso é uma memória poderosa, que traz para o nosso corpo as dores que inputamos à alguém. O remorso é o castigo em vida, é a Lei de Causa e Efeito em ação.
O remorso é a lembrança de que devemos nos superar, crescer, evoluir, sublimar. E, por esse lado, também é uma dádiva de Mnemosine.
A memória também se chama saudade. Saudade é a memória dos amantes que se despedem.
É o rastro do amor que se vai, é a tristeza que se instala, a incapacidade de mudar o rumo das coisas.
A saudade, como já dizia o poeta, "a saudade mata a gente".
Mas a gente só tem saudade de amor que vale a pena, que é profundo, verdadeiro, digno.
"Ficar" não deixa saudade. Saudade é efeito colateral do amor verdadeiro.
Mas aí está Mnemosine, a grande deusa da memória.
Que ela permaneça em mim para sempre, por muitos e muitos anos, porque quando ela se vai,
se instala em nós um outro deus, muito poderoso.
Alzheimer, o deus do vazio, da vida sem memória..
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domingo, 29 de março de 2009
Pernas prá que te quero...
Hoje o dia precisaria de um final de semana para se realizar.
E tinha compromisso, viu??!!
Começou às 6:00 da manhã. Isso lá são horas de um ser humano acordar???
Pois é. Mas teve muita gente que acordou, e uma delas fui eu.
Bem, acordar é maneira de dizer.
Me levantei às 6:00 e quando abri os olhos já eram 8:00 horas, e eu estava numa avenida que se fecha ao trânsito no domingo, para dar lugar às atividades de lazer.
Quando dei por mim estava rodeado de gente, todas de tênis, fazendo alongamento para uma corrida de 7 Km.
Tá duvidando??... Eram 7 km mesmo. Eu não escrevi errado não.
A nossa turma estava bem animada, porque era só um treino para o desafio que será no próximo domingo. Corremos todos os 7 km, e correrriamos mais, se o côco gelado ficasse um pouco mais longe de onde paramos. Como ele estava logo em frente, estrategicamente em frente ao final do percurso, não teve jeito. Vai um côco gelado aí?
Depois um Açai no Pontão, com vista "prô mar". Maravilha!!!
Um banho e lá vamos para um churrasco de aniversário, e o encontro com os amigos, que é sempre bom.
Do churrasco, corri para um compromisso no Jardim Botânico. Um não, três. Mas num deles recebi bolo da amiga que marcou comigo.
Do JB, uma rápida troca de camisa e lá vamos prô cinema.
Pipoca, refrigerante, um filme louco que se explica no final, e já são quase 22:30 horas.
Eu disse 22:30? Meu Deus, saí de casa às 11:00.
Lembro da corrida, minhas pernas doem.
Lembro do churrasco, deveria ter tido azia, mas não tive.
Lembro do JB, e meu coração está feliz por celebrar tantas coisas boas.
Lembro de você e começo a rir tudo de novo. Somos mesmos meninos travessos.
Chego em casa. Ligo o micro e estou aqui escrevendo o Blog com 17 horas de atraso.
Pernas, prá que te quero???? Prá me trazer prá casa, depois de um dia cheio de alegrias e saudade.
E tinha compromisso, viu??!!
Começou às 6:00 da manhã. Isso lá são horas de um ser humano acordar???
Pois é. Mas teve muita gente que acordou, e uma delas fui eu.
Bem, acordar é maneira de dizer.
Me levantei às 6:00 e quando abri os olhos já eram 8:00 horas, e eu estava numa avenida que se fecha ao trânsito no domingo, para dar lugar às atividades de lazer.
Quando dei por mim estava rodeado de gente, todas de tênis, fazendo alongamento para uma corrida de 7 Km.
Tá duvidando??... Eram 7 km mesmo. Eu não escrevi errado não.
A nossa turma estava bem animada, porque era só um treino para o desafio que será no próximo domingo. Corremos todos os 7 km, e correrriamos mais, se o côco gelado ficasse um pouco mais longe de onde paramos. Como ele estava logo em frente, estrategicamente em frente ao final do percurso, não teve jeito. Vai um côco gelado aí?
Depois um Açai no Pontão, com vista "prô mar". Maravilha!!!
Um banho e lá vamos para um churrasco de aniversário, e o encontro com os amigos, que é sempre bom.
Do churrasco, corri para um compromisso no Jardim Botânico. Um não, três. Mas num deles recebi bolo da amiga que marcou comigo.
Do JB, uma rápida troca de camisa e lá vamos prô cinema.
Pipoca, refrigerante, um filme louco que se explica no final, e já são quase 22:30 horas.
Eu disse 22:30? Meu Deus, saí de casa às 11:00.
Lembro da corrida, minhas pernas doem.
Lembro do churrasco, deveria ter tido azia, mas não tive.
Lembro do JB, e meu coração está feliz por celebrar tantas coisas boas.
Lembro de você e começo a rir tudo de novo. Somos mesmos meninos travessos.
Chego em casa. Ligo o micro e estou aqui escrevendo o Blog com 17 horas de atraso.
Pernas, prá que te quero???? Prá me trazer prá casa, depois de um dia cheio de alegrias e saudade.
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sábado, 28 de março de 2009
Um certo alguém..
Há certas horas que não precisamos de um amor de cinema..
Não precisamos da paixão desmedida..
Não queremos beijo na boca..
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama..
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo, tão somente, o estar ali, quietinho, ao lado..
Sem nada dizer..
Há certas horas,
quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente,
a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça,
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo,
Que nos teça elogios sem fim.
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
nos seja de uma sinceridade inquestionável.
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado..
Alguém que nos possa dizer:
- Acho que você está errado, mas estou do seu lado..
Ou alguém que apenas diga:
- Sou seu amor! E estou aqui!
Não precisamos da paixão desmedida..
Não queremos beijo na boca..
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama..
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo, tão somente, o estar ali, quietinho, ao lado..
Sem nada dizer..
Há certas horas,
quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente,
a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça,
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo,
Que nos teça elogios sem fim.
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
nos seja de uma sinceridade inquestionável.
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado..
Alguém que nos possa dizer:
- Acho que você está errado, mas estou do seu lado..
Ou alguém que apenas diga:
- Sou seu amor! E estou aqui!
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Sobre Forró e Jacas
Estava escrevendo sobre alegria no texto de hoje, e me lembrei que sou feliz de muitas formas.
Hoje, por exemplo, é dia de forró.
De pisar no pé dos outros, de ficar com torcicolo, dor nas juntas, pé cansado.
Hoje é dia de rir, de fingir que sei dançar, de comer o churrasquinho bem devagar, para não dar a entender que não estou dando conta da parceira.
É dia de conversa boa, de ser paparicado, de fazer alguém feliz.
Hoje é sexta-feira. Dia de voltar prá casa cedo, porque amanhã tem trilha, mas não tão cedo.
Mas essa sexta-feira é mais especial.
Hoje também é dia de colher jaca.
Pois é.
Resolvi que iriamos roubar jacas no canteiro central de uma avenida aqui da cidade.
Lá tem muita, mas muita jaca.
Queria coisa de bandido.
Queria capuz negro, roupa camuflada, trilha sonora de filme de ação.
Queria helicóptero, SWAT, BOPE, perseguição, tiros e rajadas de metralhadora.
Falei isso tudo prá uma amiga. Sabe o que ela me disse?
- JB, não precisa disso tudo não. O Governo não está dando conta de pegar os bandidos de verdade, vai se importar com ladrão de jaca? Ainda mais as jacas públicas (é verdade, a jaca aqui é de todo mundo, ou de quem chegar primeiro).
E completou:
- Tenho um amigo que tem um quintal cheio de jaca. Ligo para o TELEJACA (nem sabia que existia) e ele me arruma umas.
Então, para não perder a emoção, comprei o DVD do Carga Explosiva 3 para assistir, enquanto fico comendo jaca com os pés prá cima, doloridos, de tanto dançar forró.
Hoje, por exemplo, é dia de forró.
De pisar no pé dos outros, de ficar com torcicolo, dor nas juntas, pé cansado.
Hoje é dia de rir, de fingir que sei dançar, de comer o churrasquinho bem devagar, para não dar a entender que não estou dando conta da parceira.
É dia de conversa boa, de ser paparicado, de fazer alguém feliz.
Hoje é sexta-feira. Dia de voltar prá casa cedo, porque amanhã tem trilha, mas não tão cedo.
Mas essa sexta-feira é mais especial.
Hoje também é dia de colher jaca.
Pois é.
Resolvi que iriamos roubar jacas no canteiro central de uma avenida aqui da cidade.
Lá tem muita, mas muita jaca.
Queria coisa de bandido.
Queria capuz negro, roupa camuflada, trilha sonora de filme de ação.
Queria helicóptero, SWAT, BOPE, perseguição, tiros e rajadas de metralhadora.
Falei isso tudo prá uma amiga. Sabe o que ela me disse?
- JB, não precisa disso tudo não. O Governo não está dando conta de pegar os bandidos de verdade, vai se importar com ladrão de jaca? Ainda mais as jacas públicas (é verdade, a jaca aqui é de todo mundo, ou de quem chegar primeiro).
E completou:
- Tenho um amigo que tem um quintal cheio de jaca. Ligo para o TELEJACA (nem sabia que existia) e ele me arruma umas.
Então, para não perder a emoção, comprei o DVD do Carga Explosiva 3 para assistir, enquanto fico comendo jaca com os pés prá cima, doloridos, de tanto dançar forró.
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Jaca,
Sexta-feira
Mais uma vez..
Toda manhã conversamos.
Já virou rotina. Acordo, e já encontro um monte de Bom Dia pelo meu MSN.
É incrível como a gente se apega quando existe carinho.
Já diziam prá mim: - Não precisa muito, apenas que seja sincero.
É verdade.
A gente conversa sobre tudo. Sobre o mundo.
Mas gostamos mesmo é de conversar sobre nós dois.
Cada um fala de si. Do que é, do que gosta, de onde veio, prá onde vai.
Dos sonhos que a gente tem, dos medos que nos perseguem, da vida que flui.
Quando teclo com ela é como se eu me colocasse em frente a mim mesmo.
Penso, reflito, me enxergo melhor.
Sei o que sou, e o que quero ser.
Acho que amizade é isso. É a gente fora de nós.
É alguém que nos olha com os olhos da nossa mãe.
Alguém que diz que não doeu tanto, que precisamos cortar as unhas, que o cabelo está grande.
Que sabemos nos vestir, que aquela roupa ficou bem em nós, etc. etc.
Amigos nos permitem ser como nós somos. Nem melhor, o que levaria à frustração do amigo, nem pior, o que levaria a nossa frustração, ao descobrir que alguém nos vê menor do que somos.
Amigos nos vêem na medida certa, e sempre querem que a gente seja mais. Que a gente se supere, que a gente vença, seja forte, ame de verdade, atinja nossos objetivos.
Por isso que, a cada manhã, acordo e digo prá mim mesmo:
- Serei feliz, mais uma vez. E corro prô micro.
Já virou rotina. Acordo, e já encontro um monte de Bom Dia pelo meu MSN.
É incrível como a gente se apega quando existe carinho.
Já diziam prá mim: - Não precisa muito, apenas que seja sincero.
É verdade.
A gente conversa sobre tudo. Sobre o mundo.
Mas gostamos mesmo é de conversar sobre nós dois.
Cada um fala de si. Do que é, do que gosta, de onde veio, prá onde vai.
Dos sonhos que a gente tem, dos medos que nos perseguem, da vida que flui.
Quando teclo com ela é como se eu me colocasse em frente a mim mesmo.
Penso, reflito, me enxergo melhor.
Sei o que sou, e o que quero ser.
Acho que amizade é isso. É a gente fora de nós.
É alguém que nos olha com os olhos da nossa mãe.
Alguém que diz que não doeu tanto, que precisamos cortar as unhas, que o cabelo está grande.
Que sabemos nos vestir, que aquela roupa ficou bem em nós, etc. etc.
Amigos nos permitem ser como nós somos. Nem melhor, o que levaria à frustração do amigo, nem pior, o que levaria a nossa frustração, ao descobrir que alguém nos vê menor do que somos.
Amigos nos vêem na medida certa, e sempre querem que a gente seja mais. Que a gente se supere, que a gente vença, seja forte, ame de verdade, atinja nossos objetivos.
Por isso que, a cada manhã, acordo e digo prá mim mesmo:
- Serei feliz, mais uma vez. E corro prô micro.
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Mais uma vez
quinta-feira, 26 de março de 2009
Gran Torino e o Arquétipo de Áries
Fiquei devendo uma outra abordagem do filme, e como promessa é dívida, chamei o meu amigo Dr. Google para me ajudar na pesquisa sobre o tema.
Uma das abordagens que gostaria de fazer é bem dentro da minha área.
Vi o filme também como uma manifestação política de uma realidade econômica.
E qual seria essa abordagem econômica?
Se a gente observar bem, o Sr. Kowalski representa um Estados Unidos que não resiste mais.
Um país de grandes indústrias, forte, imponente, soberano, imperialista, representado pelo jeito durão, seco, severo e de poucos amigos do Sr. Kowalski.
Essa Velha América tem que se render ao novo. Aos novos carros, novos povos, à miscigenação. Essa Velha América está falida, com uma ditadura do mais forte que já não encontra amparo no Mundo Novo.
E ela se reconhece no ocaso e se alinha com o sacrificio de morrer para que uma Nova América se coloque no lugar.
Mas, o estudo da Filosofia e da Astrologia também me permitiu uma visão mitológica do filme.
Estou falando dos arquétipos, que podem ser considerados a base e a motivação de toda a vida psicológica, individual e coletiva. Enquanto a mitologia dá ênfase às manifestações culturais dos arquétipos, a astrologia utiliza os próprios princípios arquetípicos essenciais como sua linguagem, para poder compreender as forças e as configurações presentes tanto na vida individual quanto na cultural.
E o Sr. Kowalski representa o Arquétipo de Áries.
Áries, na astrologia, representa a coragem, a independência e a ousadia, por um lado. Mas representa também a inconsequência, a impaciência, a imprudência. Todos esses traços a gente reconhece no personagem principal de Gran Torino.
Ele é a personificação de Áries.
É o impulso que rompe a inércia, que se lança frente aos desafios, remove os obstáculos e atinge o fim esperado. Ele aceita os riscos, os desafios, porque acredita no seu ideal, no seu sonho, no seu objetivo.
Bem, é mais ou menos por aí....não sou especialista nem em astrologia,
muito menos em mitologia.
Vale, ao final, deixar uma mensagem que achei nas pesquisas e gostei muito. Vem de Horácio:
Multa renascentur, quae jam cecidere cadentque,
Quae nunc sunt in honore..
Tecla SAP:
Muitos que estão enterrados há longo tempo ressurgirão,
e muitos que hoje estão cercados de honras, submergirão.
Uma das abordagens que gostaria de fazer é bem dentro da minha área.
Vi o filme também como uma manifestação política de uma realidade econômica.
E qual seria essa abordagem econômica?
Se a gente observar bem, o Sr. Kowalski representa um Estados Unidos que não resiste mais.
Um país de grandes indústrias, forte, imponente, soberano, imperialista, representado pelo jeito durão, seco, severo e de poucos amigos do Sr. Kowalski.
Essa Velha América tem que se render ao novo. Aos novos carros, novos povos, à miscigenação. Essa Velha América está falida, com uma ditadura do mais forte que já não encontra amparo no Mundo Novo.
E ela se reconhece no ocaso e se alinha com o sacrificio de morrer para que uma Nova América se coloque no lugar.
Mas, o estudo da Filosofia e da Astrologia também me permitiu uma visão mitológica do filme.
Estou falando dos arquétipos, que podem ser considerados a base e a motivação de toda a vida psicológica, individual e coletiva. Enquanto a mitologia dá ênfase às manifestações culturais dos arquétipos, a astrologia utiliza os próprios princípios arquetípicos essenciais como sua linguagem, para poder compreender as forças e as configurações presentes tanto na vida individual quanto na cultural.
E o Sr. Kowalski representa o Arquétipo de Áries.
Áries, na astrologia, representa a coragem, a independência e a ousadia, por um lado. Mas representa também a inconsequência, a impaciência, a imprudência. Todos esses traços a gente reconhece no personagem principal de Gran Torino.
Ele é a personificação de Áries.
É o impulso que rompe a inércia, que se lança frente aos desafios, remove os obstáculos e atinge o fim esperado. Ele aceita os riscos, os desafios, porque acredita no seu ideal, no seu sonho, no seu objetivo.
Bem, é mais ou menos por aí....não sou especialista nem em astrologia,
muito menos em mitologia.
Vale, ao final, deixar uma mensagem que achei nas pesquisas e gostei muito. Vem de Horácio:
Multa renascentur, quae jam cecidere cadentque,
Quae nunc sunt in honore..
Tecla SAP:
Muitos que estão enterrados há longo tempo ressurgirão,
e muitos que hoje estão cercados de honras, submergirão.
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Mitoludens
quarta-feira, 25 de março de 2009
O erro do segundo mandamento
Tem um erro no segundo mandamento.
Ama ao próximo como a ti mesmo, diz a Tábua da Lei.
Mas, e como é que eu me amo???
Será que devo mesmo levar ao próximo o amor que tenho para comigo???
Fui assistir Gran Torino e saí de lá com essa dúvida.
O filme é fantástico, como são fantásticos todos os filmes do diretor Clint Eastwood.
"Pontes de Madison" e "Sobre meninos e lobos" são os grandes exemplos desse Senhor das Emoções.
O carro, que dá nome ao filme, é a real expressão da necessidade de manutenção das coisas.
Ele, Sr Kowalski, um ex-funcionário da Ford, retira da linha de montagem um Gran Torino, para preservá-lo na sua garagem.
Ele não quer que as coisas mudem. Mas se vê sufocado por tantas mudanças que a vida lhe traz.
A guerra muda sua vida, sua perspectiva de família, sua visão de mundo.
Sua vizinhança muda, saindo seus antigos vizinhos e chegando imigrantes Hmong, do Laos.
Mas, no meio desse caos, seus princípios não mudam.
Ele se recusa a ser visto como um inválido pela família, e demonstra sua força quando percebe que a injustiça toma conta do bairro.
Um homem amargo, com tristeza nos olhos, cansaço na voz e peso nas pernas.
Um homem envelhecido, sem motivos que lhe justifiquem esperar o dia seguinte.
Um homem preso ao passado, que lustra o carro que não usa e que mora num lugar que já não reconhece como seu.
Mas um homem que reconhece o valor da amizade, do respeito, da admiração.
Um homem que tem guardado dentro de si seus valores, não esquecidos.
Um homem que sabe o tanto que somos responsáveis por aquilo que cativamos.
É a redenção de um homem, salvo por seus mais nobres princípios.
Esse homem entrega sua agora curta vida, para que outros a tenham em plenitude.
Esse homem resgata um segundo mandamento, que muitos de nós não deveriamos estar professando.
Não por falta de amor ao próximo, mas por falta de amor a nós mesmos.
Ama ao próximo como a ti mesmo, diz a Tábua da Lei.
Mas, e como é que eu me amo???
Será que devo mesmo levar ao próximo o amor que tenho para comigo???
Fui assistir Gran Torino e saí de lá com essa dúvida.
O filme é fantástico, como são fantásticos todos os filmes do diretor Clint Eastwood.
"Pontes de Madison" e "Sobre meninos e lobos" são os grandes exemplos desse Senhor das Emoções.
O carro, que dá nome ao filme, é a real expressão da necessidade de manutenção das coisas.
Ele, Sr Kowalski, um ex-funcionário da Ford, retira da linha de montagem um Gran Torino, para preservá-lo na sua garagem.
Ele não quer que as coisas mudem. Mas se vê sufocado por tantas mudanças que a vida lhe traz.
A guerra muda sua vida, sua perspectiva de família, sua visão de mundo.
Sua vizinhança muda, saindo seus antigos vizinhos e chegando imigrantes Hmong, do Laos.
Mas, no meio desse caos, seus princípios não mudam.
Ele se recusa a ser visto como um inválido pela família, e demonstra sua força quando percebe que a injustiça toma conta do bairro.
Um homem amargo, com tristeza nos olhos, cansaço na voz e peso nas pernas.
Um homem envelhecido, sem motivos que lhe justifiquem esperar o dia seguinte.
Um homem preso ao passado, que lustra o carro que não usa e que mora num lugar que já não reconhece como seu.
Mas um homem que reconhece o valor da amizade, do respeito, da admiração.
Um homem que tem guardado dentro de si seus valores, não esquecidos.
Um homem que sabe o tanto que somos responsáveis por aquilo que cativamos.
É a redenção de um homem, salvo por seus mais nobres princípios.
Esse homem entrega sua agora curta vida, para que outros a tenham em plenitude.
Esse homem resgata um segundo mandamento, que muitos de nós não deveriamos estar professando.
Não por falta de amor ao próximo, mas por falta de amor a nós mesmos.
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Vice-Versa
Algumas coisas são muito iguais, tanto na ida, quanto na volta. Tanto no sentido normal, quando se for invertido.
Na matemática ensinam muito isso. Os matemáticos e físicos se vangloriam de sua ciência porque, dizem, "a ordem dos fatores não altera o produto". É assim e pronto.
Do jeito que você fizer continuará dando o mesmo resultado.
E isso, mesmo para uma ciência, é algo fantástico.
O português já não é assim. E se me permitem, vou colocar um Graças a Deus no final da frase.
Estava relendo minha última postagem (Totalidade e Síntese), e notei que escrevi que "saí do cinema sem nada falar".
Pensei em editar e mudar para "saí do cinema sem falar nada", o que tornaria a frase mais direta, mas acabei deixando como estava porque descobri que não é a mesma coisa.
"Sem falar nada"quer dizer que eu teria alguma coisa a dizer, e não disse.
"Sem nada falar" é a condição na qual eu saí do cinema. Poderia ter alguma coisa a falar ou não. A frase não dá a certeza de nada. A única certeza é de que saí calado, mudo.
Adoro o português. Devoro livros.
Depois que começei a blogar, então, mais ainda, porque começei a perceber a sutileza na intenção das palavras.
Isso mesmo. Palavras têm intenções.
Quando você escreve, na verdade está pedindo ajuda às palavras para expressar seu sentimento. Você as agrupa segundo o seu entendimento, e elas dão significado a sua mensagem.
Palavra dita, o vento leva. Se leva, o interlocutor esquece. Se não leva, mesmo assim o entendimento é reforçado pelo olhar, pela entonação, pelo momento, local e circunstância, temperatura, pressão atmosférica, fuso horário, etc. etc.
Já a palavra escrita, não.
Você não disse o que pensou dizer. Você disse o que está escrito.
Você disse o que o leitor leu e entendeu.
Sua chance de dizer o que você queria dizer acabou quando você publicou o que escreveu.
Se escolheu bem as palavras, os acentos, as vírgulas, pausas, entonações, melhor para você. Se não escolheu, paciência. Você será o resultado das suas frases.
Os romanos já sabiam disso, e não se limitavam a invadir outros territórios. Para a total submissão dos conquistados, eles lhes roubavam os deuses e a língua, impondo a eles os deuses e a língua romana, o latim.
Por fim, é bom saber que vice-versa é a verdade pura, a verdade dos matemáticos, que não é a verdade dos sábios.
Os sábios reconhecem que a verdade é a frase debatida, discutida, entendida.
E que a verdade verdadeira não é a dita, é a entendida.
Porque a versão de quem ouve é mais forte do que a verdade de quem diz.
Na matemática ensinam muito isso. Os matemáticos e físicos se vangloriam de sua ciência porque, dizem, "a ordem dos fatores não altera o produto". É assim e pronto.
Do jeito que você fizer continuará dando o mesmo resultado.
E isso, mesmo para uma ciência, é algo fantástico.
O português já não é assim. E se me permitem, vou colocar um Graças a Deus no final da frase.
Estava relendo minha última postagem (Totalidade e Síntese), e notei que escrevi que "saí do cinema sem nada falar".
Pensei em editar e mudar para "saí do cinema sem falar nada", o que tornaria a frase mais direta, mas acabei deixando como estava porque descobri que não é a mesma coisa.
"Sem falar nada"quer dizer que eu teria alguma coisa a dizer, e não disse.
"Sem nada falar" é a condição na qual eu saí do cinema. Poderia ter alguma coisa a falar ou não. A frase não dá a certeza de nada. A única certeza é de que saí calado, mudo.
Adoro o português. Devoro livros.
Depois que começei a blogar, então, mais ainda, porque começei a perceber a sutileza na intenção das palavras.
Isso mesmo. Palavras têm intenções.
Quando você escreve, na verdade está pedindo ajuda às palavras para expressar seu sentimento. Você as agrupa segundo o seu entendimento, e elas dão significado a sua mensagem.
Palavra dita, o vento leva. Se leva, o interlocutor esquece. Se não leva, mesmo assim o entendimento é reforçado pelo olhar, pela entonação, pelo momento, local e circunstância, temperatura, pressão atmosférica, fuso horário, etc. etc.
Já a palavra escrita, não.
Você não disse o que pensou dizer. Você disse o que está escrito.
Você disse o que o leitor leu e entendeu.
Sua chance de dizer o que você queria dizer acabou quando você publicou o que escreveu.
Se escolheu bem as palavras, os acentos, as vírgulas, pausas, entonações, melhor para você. Se não escolheu, paciência. Você será o resultado das suas frases.
Os romanos já sabiam disso, e não se limitavam a invadir outros territórios. Para a total submissão dos conquistados, eles lhes roubavam os deuses e a língua, impondo a eles os deuses e a língua romana, o latim.
Por fim, é bom saber que vice-versa é a verdade pura, a verdade dos matemáticos, que não é a verdade dos sábios.
Os sábios reconhecem que a verdade é a frase debatida, discutida, entendida.
E que a verdade verdadeira não é a dita, é a entendida.
Porque a versão de quem ouve é mais forte do que a verdade de quem diz.
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domingo, 22 de março de 2009
Totalidade e Síntese
Assisti de novo ao filme O SIGNO DA CIDADE.
No cinema, vi o filme transcorrer na minha frente. Tudo acontece, e não existe um porque, uma justificativa, um motivo banal ou concreto para que as coisas aconteçam.
Elas, apenas, acontecem.
Saí do cinema sem nada falar. O que vi, naquela sala de projeção, era a vida acontecendo, como num poema de Alberto Caieiro:
"Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva –
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão –
Porque não tinha que ser. "
Ao rever o filme, me veio a mesma sensação da primeira vez. Mas um sentimento sem medo, sem rancor, sem dúvidas.
Gente, a vida simplesmente acontece.
Tem gente que morre, gente que nasce, gente que é abandonada, negada, perdida. Tem heróis e bandidos, ambos sem rótulo, sem máscara. Tudo isso somos nós.
Eu vejo o filme, e me vejo ali. Sou diferente, mas me sinto igual. Poderia ser eu a salvar a criança, a fazer o parto, a tomar o tiro. Poderia se eu a me cortar, a saltar da janela, a buscar o amor de qualquer forma.
Eu me utilizo dos mesmos elementos que as outras pessoas para me construir, para existir, para me fazer inteiro. Na formação da nossa personalidade todos nós nos valemos dos mesmos insumos, do mesmo locus, da mesma sociedade. Somos iguais na síntese.
Alguns tiveram famílias e locus diferentes e sairam-se melhores do que eu. Uns por melhores condições, outros, porque souberam se superar, sublimar, evoluir.
Na verdade, a vida que temos é a vida que escolhemos ter.
Somos diferentes na individualidade, mas somos iguais na totalidade.
E assim vamos, Totalidade e Sintese.
Todos, sempre, muito iguais nas suas diferenças.
No cinema, vi o filme transcorrer na minha frente. Tudo acontece, e não existe um porque, uma justificativa, um motivo banal ou concreto para que as coisas aconteçam.
Elas, apenas, acontecem.
Saí do cinema sem nada falar. O que vi, naquela sala de projeção, era a vida acontecendo, como num poema de Alberto Caieiro:
"Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva –
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão –
Porque não tinha que ser. "
Ao rever o filme, me veio a mesma sensação da primeira vez. Mas um sentimento sem medo, sem rancor, sem dúvidas.
Gente, a vida simplesmente acontece.
Tem gente que morre, gente que nasce, gente que é abandonada, negada, perdida. Tem heróis e bandidos, ambos sem rótulo, sem máscara. Tudo isso somos nós.
Eu vejo o filme, e me vejo ali. Sou diferente, mas me sinto igual. Poderia ser eu a salvar a criança, a fazer o parto, a tomar o tiro. Poderia se eu a me cortar, a saltar da janela, a buscar o amor de qualquer forma.
Eu me utilizo dos mesmos elementos que as outras pessoas para me construir, para existir, para me fazer inteiro. Na formação da nossa personalidade todos nós nos valemos dos mesmos insumos, do mesmo locus, da mesma sociedade. Somos iguais na síntese.
Alguns tiveram famílias e locus diferentes e sairam-se melhores do que eu. Uns por melhores condições, outros, porque souberam se superar, sublimar, evoluir.
Na verdade, a vida que temos é a vida que escolhemos ter.
Somos diferentes na individualidade, mas somos iguais na totalidade.
E assim vamos, Totalidade e Sintese.
Todos, sempre, muito iguais nas suas diferenças.
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sábado, 21 de março de 2009
Opção Preferencial
Já aconteceu de, ao passar por uma determinada experiência, ter a sensação de que jamais vai esquecê-la?
Pois é, isso me aconteceu uns tempos prá trás. Acho que o dia era 18.
Me mandaram a letra de uma música do Chico Buarque. Me parece que é "Deixa a Menina", um belo samba.
Fiquei cantarolando ele o dia todo, mas não tinha decorado a letra toda. A todo momento parava num pedaço que era mais ou menos assim:
"porisso, para o seu bem, ou tira ela da cabeça ou mereça a moça que você tem".
Eta pedacinho que pega a gente e a gente não consegue passar para outra estrofe.
Fiz tudo que tinha que fazer no dia cantando a tal música, e me agarrando na danada da estrofe.
Não sei o que motivou o Chico a compor a música, mas é um sambinha dos bons. E a menina deve ser também, porque junto à ela "tem mil homens, sempre tão gentis".
Já estava entrando numa loja de CD para comprar o disco, para tentar cantar a música por inteiro quando, já dentro da loja, escuto Lupicínio Rodrigues na voz do Paulinho da Viola. Que coisa maravilhosa. Ele dizia:
"Nunca...
Nem que o mundo caia sobre mim,
Nem se Deus mandar, nem mesmo assim,
as pazes contigo eu farei"...
Sabe de uma coisa? Que me perdoe o Chico, mas saí da loja com o CD do Paulinho da Viola debaixo do braço.
E acho que fiz a melhor opção da minha vida.
Pois é, isso me aconteceu uns tempos prá trás. Acho que o dia era 18.
Me mandaram a letra de uma música do Chico Buarque. Me parece que é "Deixa a Menina", um belo samba.
Fiquei cantarolando ele o dia todo, mas não tinha decorado a letra toda. A todo momento parava num pedaço que era mais ou menos assim:
"porisso, para o seu bem, ou tira ela da cabeça ou mereça a moça que você tem".
Eta pedacinho que pega a gente e a gente não consegue passar para outra estrofe.
Fiz tudo que tinha que fazer no dia cantando a tal música, e me agarrando na danada da estrofe.
Não sei o que motivou o Chico a compor a música, mas é um sambinha dos bons. E a menina deve ser também, porque junto à ela "tem mil homens, sempre tão gentis".
Já estava entrando numa loja de CD para comprar o disco, para tentar cantar a música por inteiro quando, já dentro da loja, escuto Lupicínio Rodrigues na voz do Paulinho da Viola. Que coisa maravilhosa. Ele dizia:
"Nunca...
Nem que o mundo caia sobre mim,
Nem se Deus mandar, nem mesmo assim,
as pazes contigo eu farei"...
Sabe de uma coisa? Que me perdoe o Chico, mas saí da loja com o CD do Paulinho da Viola debaixo do braço.
E acho que fiz a melhor opção da minha vida.
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Vida Vivida
sexta-feira, 20 de março de 2009
Resignificar-se
Todos nós evoluímos.
Trocamos de pele como as cobras e as árvores.
As vezes a evolução provêm do tempo.
Crescemos, amadurecemos, evoluímos.
As vezes a evolução vem de momentos ou situações que vivemos.
A evolução daí decorrente é um rompimento, uma explosão.
A negação do eu antigo, do eu velho, para surgir do novo.
O processo de evoluir é o mesmo processo de resignificar-se.
Então não envelhecemos, apenas resignificamos.
Se crescemos em atitudes, maturidade e espiritualidade
estamos saindo do velho para o novo. Estamos rejuvenescendo.
Quando nos resignificamos, estamos mais leves, mais sutís.
Estamos mais próximos do Divino, do Sagrado.
Somos como que o Benjamin Button.
Talvez não com o corpo, mas seguramente, com a alma, com o espirito.
Trocamos de pele como as cobras e as árvores.
As vezes a evolução provêm do tempo.
Crescemos, amadurecemos, evoluímos.
As vezes a evolução vem de momentos ou situações que vivemos.
A evolução daí decorrente é um rompimento, uma explosão.
A negação do eu antigo, do eu velho, para surgir do novo.
O processo de evoluir é o mesmo processo de resignificar-se.
Então não envelhecemos, apenas resignificamos.
Se crescemos em atitudes, maturidade e espiritualidade
estamos saindo do velho para o novo. Estamos rejuvenescendo.
Quando nos resignificamos, estamos mais leves, mais sutís.
Estamos mais próximos do Divino, do Sagrado.
Somos como que o Benjamin Button.
Talvez não com o corpo, mas seguramente, com a alma, com o espirito.
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