quarta-feira, 13 de abril de 2011
Hoje eu não vivi
Me serviu buzinaços na cama
E caminhões despejando cimento.
Comi pão dormido
e o café estava frio.
Vesti a camiseta do lado errado,
e não tive tempo de passear com o cachorro.
Cheguei atrasada no trabalho
E trabalhei com sono até à noite,
quando então voltei sozinha.
Subi pela escada
e assim que entrei em casa,
dormi.
Hoje eu não vivi."
Do livro “Cartas Extraviadas e outros poemas”.
MARTHA MEDEIROS
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Você é....
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê"
Você é - Martha Medeiros
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Não era amor
Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa.
Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.
Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.
Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor,era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”
Divã - Martha Medeiros
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Para as tardes de segunda
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
Não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar".
Martha Medeiros
quinta-feira, 2 de abril de 2009
No MSN
tem problema de fuso horário
ela me entende tarde demais
eu desisto dela muito cedo".
Martha Medeiros