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terça-feira, 7 de abril de 2009

O que não está dito 2

Voltei a você.
Te esperar é sempre bom.
Meu coração fica como que um tambor,
marcando o compasso para o momento de te ver.

Você me chama, eu me aproximo de você.
E lá vem a pergunta:
- Você está bem?
E eu ganho um sorriso
e o seu olhar pousa no meu.

Não, não estou nada bem, penso em dizer.
Estou suando, meu coração acelerado.
Abaixo o olhar, me envergonho.

Você comenta algo de mim. Me elogia.
Suspiro do nada, e minha timidez me pede para não responder.
Fico quieto. A gente nunca deve interromper um elogio.

Você tem horário, Sua vida é corrida.
Nem sei se a gente seria feliz.
Logo eu, que quando quero, quero tudo, todo, sempre.

Me despeço, e fico esperando o abraço.
Ele vem, acompanhado de outro sorriso.
Meus olhos se despedem dos seus.

Vou embora,
com você nos meus olhos
e seu perfume em mim.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ehyeh Asher ehyeh

A melhor maneira de se destruir um oponente é
levando-o a se destruir a si próprio.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Fatal 2

Ouvi muitos comentários sobre o filme.
Ele foi tema de muitas conversas, regadas a vinho e confidências.

O que salta aos olhos é a relação de um homem maduro com uma jovem.
É o que todo mundo comenta. E é a parte central do filme.
Sobre esse tema, é interessante ver que, diferentemente do que se espera, ele fica inseguro diante da determinação dela.
O que ela vê em mim?
O que ela espera de mim?
O que vou fazer quando ela se cansar de mim?
Quando um amor do seu tempo a envolver?
Todos esses são questionamentos que ele tem, que lhe tiram a percepção do tanto que ela o ama, sente orgulho dele, se lhe dedica todo o seu ser.

Mas o filme não é só isso. Essa questão do amor entre gerações é forte, importante, atual, mas não é tudo que o filme traz ao debate.

Existe a relação dele com o amigo. As confidências, a troca de solidões, o apoiar-se psicologicamente, a partilha da visão de mundo, o estar presente na despedida, o viver a ausência do outro.
Esta também é uma outra obra de arte no filme, com uma cena profunda de amor fraterno.

E não fica por aí.
Um homem que foi casado e que sai do casamento deixando filhos quase sempre tem o questionamento dos filhos quanto a sua atitude.
O questionamento do abandono, do amor deixado ao acaso, da carência do outro.
E o filme retrata isso também. Retrata o desespero do filho ao se perceber igual ao pai.
Retrata o encontro do filho com o verdadeiro pai, com os seus princípios, com a sua coragem de ter deixado família para ir em busca do amor companheiro.

Você acha que acabou??? Não.
Tem ainda uma relação de interesse. Um outro encontro de corpos em solidão.
Que tenta e até pode passar a idéia de que é descompromissado, mas o absorvente no banheiro e a mera possibilidade de a cama não ser só dos dois é motivo para cobranças e crises.
Tem também o encontro desses amantes com a visão de futuro, com a realidade, com o triste destino daquele relacionamento.
Você não quer ter um amor? Apenas ficar? Eles também queriam isso.
Veja a real condição desse relacionamento e o progressivo remorso de um encontro casual, de um ficar sem amor.

O filme é muito... é muito mais do que se pode ver na primeira vez que se assiste.
Mas é preciso abrir mente e coração. É preciso não ter preconceitos.

É preciso ter estado, ou estar pronto para esse questionamento.
É preciso ter amado alguém mais jovem, ou mais velho, para entender os sentimentos presentes.
É preciso ter se separado, ter deixado filhos, para reviver a dúvida da partida, os momentos de angústia, a força da convicção.
É preciso ser sozinho para se saber o valor dos amigos, do confidente, do amor fraterno, do medo da perda e da sua irremediavel presença.
É preciso ter ficado, ter sido usado ou usar, ter esquecido do amor, ter acreditado ser possível não amar, para se entender o desenrolar de uma relação improvável.

Se você é esse alguém... não perca o filme... não perca a vida.... não perca as chances que você tem de ser feliz.

terça-feira, 10 de março de 2009

O que não está dito

Você sabe! Eu sei que você sabe.
Eu olho para você e você sabe que meu olhar tem algo mais.
Não consigo esconder. E, pasme, vivo dividido entre você perceber e deixar passar.

As vezes gostaria que você não percebesse ou, se assim o fizesse, deixasse passar.
Se eu tivesse certeza disso, abriria mais meu olhar, sorriria mais com os olhos.
Olharia prá você com menos medo do que eu tenho hoje.

As vezes fico doido para você perceber, mas não sei o que você sentirá.
Se se afastar, vou perder o pouco que tenho, vou perder a ilusão de sonhar com nós dois.
Se não se afastar, eu não sei se teria coragem de seguir para o próximo passo.

Talvez nosso amor seja o ideário do amor romântico, do amor desejado mas não realizado.
O amor de Tristão e Isolda, o amor impossivel.
Quando você me olha e sorri, eu sei que você sabe. E fico feliz.

Nós já tivemos chances. Elas já foram maiores do que são hoje.
Cada um de nós já ousou se aproximar. E o outro, como num passo sincopado, soube se afastar para que o momento passasse. Fomos timidamente ousados. Fomos ousadamente tímidos.

Mas a cada momento que nossos olhos se cruzam, a cada conversa que entabulamos, uma emoção de primeiro amor se instala.
Sabe aquele amor de aluno prá professora? Aquele desejo adolescente que não se sabe o que fazer com ele? É igualzinho... é a mesma emoção.

Você me pergunta: - Como você está? E eu quase lhe conto toda a minha vida.
Conto o que você quer saber, mas digo também dos filmes que vi, do que eu penso, do que me aflige, do que quero fazer, dos meus sonhos e desejos. Mas não conto de você dentro de mim.
Quando paro de falar você me olha, sorri com os olhos e diz: - O que mais?

Estamos condenados a nunca realizar esse amor.
Estamos fadados à prisão perpétua da emoção infantil, do primeiro amor, do despertar para a vida.
E se for isso. Se for só isso, mesmo assim, já é bom demais.

 
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