Mostrando postagens com marcador Quem sou eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quem sou eu. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desassossego

"Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam,
e nunca reconhecem quando encontram. Daquelas que,
se elas as reconhecessem, mesmo assim não as reconheceriam.

Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa.
Tenho todas as qualidades pelas quais são admirados os poetas românticos.
Mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é realmente poeta romântico.

Encontro-me descrito (em parte) em vários romances como protagonista de vários enredos;
mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista."


Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu

"Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio

que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca

porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza

que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante

porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor

apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos

porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço

e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada

porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável

que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância

porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito

e que o teu silêncio me fale cada vez mais

porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba

e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada

porque metade de mim é amor
e a outra metade,
também
.




Oswaldo Montenegro - Metade

sábado, 7 de março de 2009

O que o vento não levou.....

"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:

Um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...."

Mario Quintana

sábado, 8 de novembro de 2008

Se não fosse assim, não seria eu.

Tenho amigos de todos os tipos:
Alguns me cobram a expressão do meu sentimento. Uns, mais frios, acham que falta racionalidade no meu sentir. Outros, que sentem tanto quanto eu, usufruem a vida de uma maneira mais intensa. Há os que não se importam, e os que nem sabem que algo estava acontecendo.

As pessoas nos percebem como uma extensão do sentimento delas, da forma como encaram a vida. Estranham quanto constatam que não iremos agir do "jeito mais lógico", da "forma mais sensata", ou adotar "a única solução possível".

Em meio a um mar de normalidade e pragmatísmo, damos braçadas como um náufrago, tentando não deixar afogar o nosso sentimento, a nossa visão do mundo, a nossa forma de ver a vida.

Somos estranhos? Talvez. Diferentes? Possivelmente. Mas não estamos aqui para viver a vida dos outros. Não nascemos com uma procuração na mão, nos dando o direito ou a prerrogativa de viver a vida dos outros. Viver a nossa já está bom demais para uma encarnação.

Pessoas como nós vivem a vida intensamente, mas é na perda que nos damos conta da nossa real condição de humanos.
Podemos não sofrer (porque perder faz parte da vida), lamentar profundamente ou, fingir que não é com a gente.
Podemos acreditar que a culpa é do outro e, às vezes, até apostar que a outra parte está sofrendo mais do que nós, como se isso fosse algum gel reparador de contusões amorosas.

Mas o melhor é nos recolhermos, reviver emoções e lembranças, guardar frases e palavras, tudo isso lá no fundo do peito, junto com aqueles momentos que não gostaríamos que fossem levados pelo esquecimento.
Queremos dizer para nossos netos: - Amei! Amei muito. Teve um amor, uma vez, que.... e por aí vai. Netos adoram histórias de amor.

E ao nos reencontrar com a solidão, dizer: - Tô de volta, certos de que estamos protegidos, porque a solidão é um sentimento interno, invisível. Ninguém enxerga as ausências que a gente carrega.

Como bons anfitriões, vamos acompanhar o amor até a moradia do esquecimento, guardar o que de melhor existiu para contar aos netos, refletir sobre como foi, o que deu errado e, cresçer.
Cresçer como pessoa, como seres humanos para, mais uma vez, amar de novo, acreditar novamente. Porque a vida, a vida é um ir e vir constante.

Já lí por aí que "o destino do amor é a despedida". Mas a Maria Rita me diz que "o trem que chega é também o trem da partida. A vida se repete na estação". Então não é só despedida.

Eu sou assim, e meus amigos gostam de mim por eu ser assim.
Outros me toleram, me admiram ou lhes sou indiferente.

Mas, se eu não fosse assim, não seria eu, concorda???

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quem sou eu ?

Eu sou aquele a quem a vida ensinou na carne.
Sou quem lutou para construir princípios e valores. E se desesperou ao reconhecer que alguns não eram mais válidos, frente a novos paradigmas.

Eu sou aquele que procurou retidão, certeza e concretude para se firmar como humano.
E descobriu que para ser humano é necessário ser imperfeito, não contar com a certeza, "tortuar" por caminhos sombrios e se apoiar no vazio.

Eu sou aquele que prometeu amor infinito, e descobriu que o amor não prospera sem o perdão, a compreensão das diferenças e o diálogo como exercício do entendimento.

Eu sou quem se imaginava puro, e descobriu que o ser humano tanto é melhor quanto mais se mistura ao mundo, quanto menos espera dos outros e mais doa de si.

Eu sou quem se imaginava perfeito e aprendeu, com a vida, que os enganos acontecem, que as pessoas nos magoam. Que não fazem por mal ou propositadamente, mas o fazem porque também se imaginam perfeitas, e não estão dispostas a reconsiderar.

Eu sou aquele que buscava a união, mas descobriu que nada é eterno e duradouro, e que a união só existe enquanto você acreditar que ela exista. A confiança é a chave de tudo.

Eu sou aquele que se imaginava forte, até que a vida lhe tirou coisas valiosas. E que, no desespero, aprendeu que nada é para sempre. Que pessoas morrem e amores também.

Eu sou aquele que procurava afeto e aprendeu, na vida, que afeto não se compra, não se pede, não se espera. Afeto é dado quando merecemos. E mesmo quando merecemos, devemos estar diante de pessoas que o tenha para oferecer.

Sou quem sempre quis o certo, mas muitas vezes não foi feliz com ele. Quem aprendeu a deixar o coração se sobrepor à razão para que a felicidade tivesse alguma chance de se fazer presente. Mas sou também aquele que fez valer a razão quando a felicidade já não mais existia.

Eu sou o resultado das minhas escolhas, das minhas mágoas, dos meus amores.
Eu sou um ser em mutação, em construção, em desalinho.
Eu sou eu, determinado e perseverante, na busca do melhor de mim.
 
BlogBlogs.Com.Br