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sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Retrato de Dorian Gray

Já escrevo nesse Blog há muito tempo.

Escrevo de tudo. Textos que eu gosto, textos que escrevo.
Todos são meus, de uma maneira ou de outra, todos são eu.

Para me expor assim, tenho algumas salvaguardas.
Nem sempre a data coincide com o fato.
Escrevo e agendo, para o futuro ou para o passado,
não deixando que o texto se encontre com o fato.
Assim preservo os envolvidos, e a mim também.

De há muito escrevo nesse Blog, e ele sou eu.
Talvez um eu contido, protegido, disfarçado.
Mas um eu verdadeiro.

Na verdade, ele é muito mais eu,
do que o meu eu pode expressar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O que não está dito 2

Voltei a você.
Te esperar é sempre bom.
Meu coração fica como que um tambor,
marcando o compasso para o momento de te ver.

Você me chama, eu me aproximo de você.
E lá vem a pergunta:
- Você está bem?
E eu ganho um sorriso
e o seu olhar pousa no meu.

Não, não estou nada bem, penso em dizer.
Estou suando, meu coração acelerado.
Abaixo o olhar, me envergonho.

Você comenta algo de mim. Me elogia.
Suspiro do nada, e minha timidez me pede para não responder.
Fico quieto. A gente nunca deve interromper um elogio.

Você tem horário, Sua vida é corrida.
Nem sei se a gente seria feliz.
Logo eu, que quando quero, quero tudo, todo, sempre.

Me despeço, e fico esperando o abraço.
Ele vem, acompanhado de outro sorriso.
Meus olhos se despedem dos seus.

Vou embora,
com você nos meus olhos
e seu perfume em mim.

terça-feira, 10 de março de 2009

O que não está dito

Você sabe! Eu sei que você sabe.
Eu olho para você e você sabe que meu olhar tem algo mais.
Não consigo esconder. E, pasme, vivo dividido entre você perceber e deixar passar.

As vezes gostaria que você não percebesse ou, se assim o fizesse, deixasse passar.
Se eu tivesse certeza disso, abriria mais meu olhar, sorriria mais com os olhos.
Olharia prá você com menos medo do que eu tenho hoje.

As vezes fico doido para você perceber, mas não sei o que você sentirá.
Se se afastar, vou perder o pouco que tenho, vou perder a ilusão de sonhar com nós dois.
Se não se afastar, eu não sei se teria coragem de seguir para o próximo passo.

Talvez nosso amor seja o ideário do amor romântico, do amor desejado mas não realizado.
O amor de Tristão e Isolda, o amor impossivel.
Quando você me olha e sorri, eu sei que você sabe. E fico feliz.

Nós já tivemos chances. Elas já foram maiores do que são hoje.
Cada um de nós já ousou se aproximar. E o outro, como num passo sincopado, soube se afastar para que o momento passasse. Fomos timidamente ousados. Fomos ousadamente tímidos.

Mas a cada momento que nossos olhos se cruzam, a cada conversa que entabulamos, uma emoção de primeiro amor se instala.
Sabe aquele amor de aluno prá professora? Aquele desejo adolescente que não se sabe o que fazer com ele? É igualzinho... é a mesma emoção.

Você me pergunta: - Como você está? E eu quase lhe conto toda a minha vida.
Conto o que você quer saber, mas digo também dos filmes que vi, do que eu penso, do que me aflige, do que quero fazer, dos meus sonhos e desejos. Mas não conto de você dentro de mim.
Quando paro de falar você me olha, sorri com os olhos e diz: - O que mais?

Estamos condenados a nunca realizar esse amor.
Estamos fadados à prisão perpétua da emoção infantil, do primeiro amor, do despertar para a vida.
E se for isso. Se for só isso, mesmo assim, já é bom demais.

 
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