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sábado, 11 de julho de 2009

Confiar para amar de verdade

Hoje fiquei a imaginar o sentimento de alguém que ama e não confia.

A confiança e o amor são vasos comunicantes.
Se confiamos e amamos, o amor prospera e frutifica.
Se amamos e não confiamos, o amor sofre, e a dúvida consome o amor.
Lhe esvazia da emoção, dos sentimentos bons, do viver em plenitude.
O amor fica oco, pobre e quebradiço.

Sofremos e fazemos o outro sofrer.
Queremos salvaguardas, queremos garantias.
Colocamos o amor refém de algo pequeno,
Aprisionando-o no solitário castelo de nosso egoísmo.

Confiar para amar de verdade.
Acreditar no outro e no amor que nos é dado.
Acreditar em nossos valores, em nós mesmos.

Correr o risco de perder, mas não perder a chance de se arriscar.
Arriscar se enganar, mas não desistir de amar.
Amar e se doar integralmente, mas sem desintegrar-se do nosso eu.

Porque não se ama de verdade na dúvida,
não se ama de verdade no medo,
não se ama de verdade no egoísmo,
não se ama de verdade sem a entrega.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O pouco que tenho e o muito que sou

Nosso tempo de amor se foi,
ficaram o respeito e a admiração.

Ficaram também a paz e a suavidade de nossos gestos.

Ficamos disponíveis um para o outro,
para que nenhum de nós se sentisse só.

Ficamos abertos a diálogos e confidências,
para que nosso entendimento crescesse com nossa maturidade.

Meu mundo não é grande,
não tenho muitas pessoas a quem amar ou recorrer.

Sou de poucos amigos, e você sabe disso.
São poucos porque são especiais.
E se eu procurar pluralizar meus amigos, perco a essência de cada um.

Se estou sozinho é porque escolhi estar sozinho.
Meus amigos não são pontes para você chegar até mim.
Não é justo entrar no meu mundo por outra porta que não seja a minha.
Não reduza esse meu pequeno mundo a uma ilha.

Deixe-me com o pouco que escolhi prá ficar,
porque esse pouco, prá você, não é nada,
mas é tudo prá mim.

sábado, 7 de março de 2009

Como era Verde aquele Azul

Todos nós temos uma forma de ver o mundo. A nossa forma.
Todos nós temos princípios e valores. Alguns mais, outros menos. Mas todos os temos.

Olhamos o mundo com nossas lentes. Reagimos ao que vemos, e daí seremos felizes ou não.
Teremos arrependimentos ou saudades.

Quando confiamos em alguém é como se delegássemos a esse alguém nossa visão de mundo.
Quando acreditamos em alguém é porque queremos ver o que ela vê, e nos sentimos seguros e felizes com o que ela nos reporta.

E quando o que ela vê é diferente do que ela conta que vê?
E quando descobrimos que recebemos informação truncada, diferente das paisagens que correm nos olhos dela.
Sentimo-nos traídos, desconfiados, inseguros.

A primeira coisa que ocorre é passarmos a duvidar de tudo o que ela diz.
Se diz: - Vi um pássaro, queremos confirmar se é um pássaro mesmo. Pode ser um carro, um trem, ou mesmo pode não ter nada a ser visto. Não sabemos, porque perdemos a confiança.
Pode ser aquilo que ela diz, ou pode ser mais um trilhão de outras possibilidades, vai saber.

A confiança é algo tão importante, mas tão importante, que deveria estar na frente do amor como sentimento. Só não está, porque o amor é um coletivo de sentimentos, e a confiança faz parte dele.
Sem confiança, o amor derrete, apodrece, se acaba.

Acho que ninguém me falou nada a esse respeito durante toda a minha vida.
Se me disseram, talvez eu fosse imaturo demais para perceber.
Ou romântico demais, imaginando que o amor vence tudo, que o amor se basta, que o amor supera.

Não é verdade. Antes de o amor chegar, quem chega é a confiança.
E quando a confiança vai embora, tenha certeza, o amor já está de malas prontas.
 
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