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terça-feira, 19 de abril de 2011

Sei tão pouco sobre o mar

Sei tão pouco sobre o mar
Nasci nas montanhas.

O muito que via
eram montes sem fim.

Talvez fossse outro
se tivesse o mar por vizinho.

Talvez mais poeta, sonhador.
Talvez mais cético, contestador.

O mar é meu desconhecido.
É algo prá além das montanhas.

Misterioso e distante.
Calmo e traiçoeiro.

O mar me dá medo e sossego. É feitiço. Se move ao sabor da lua.
Eu quieto, ele balança. Coisa doida.

Não, eu sou mesmo das montanhas.

Montanhas me aguçam o ser,
me fazem sonhar sobre o que vem depois e depois.

Montanhas me atiçam,
o mar me descansa.
Montanhas é que me fazem ir e vir.

Eu?
Eu sou o mar das montanhas.
.

domingo, 3 de abril de 2011

Anônimos

Eu não sei quem é você.
Pode ser aquela atendente da loja de jeans.
Ou talvez o vendedor da Livraria, não sei.

Talvez tenhamos gosto pela mesma música,
talvez tenhamos nos cruzado no Show do Milton.
Tinha alguém me tampando a visão do palco.
Talvez fosse você, se tiver mais que um metro e oitenta.

Quem sabe nos cruzamos na porta de um restaurante,
eu entrando e você saíndo, ou vice-versa.
Não sei qual de nós almoça mais cedo.

Talvez aquele perfume que senti,
aquele rosto no meio do engarrafamento,
ou na fila do supermercado.

Pode ter sido muito disso, ou quase nada.
Podemos quase nos ter conhecido.
Vizinhos, sócios, amigos, amantes, sei lá!

Somos iguais à maioria dos que cruzam por nós.
Somos o revés do destino, o erro no mapa, a firmeza do acaso.
Somos a prova mais viva da fragilidade de nossa raça.

Anônimos.
.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Revisto e melhorado

De onde eu venho não tem luz, mas também não é trevas.
De onde eu venho não tem terra, nem mesmo mar.

Venho do silêncio e conforto.
Venho do amor e da paciência.

Venho da esperança e da promessa.
Trago sonhos e compromissos.

Venho do ventre de minha mãe,
e da certeza de meu pai.

Não vim prá ficar, volto logo.
Volto para a mãe Terra.

Volto maior do que vim,
porque volto com os sonhos realizados.

Volto maior do que vim,
porque volto com a sensação do amor vivido.

Volto maior do que vim,
porque volto com a lembrança de todos
pelos quais me apaixonei.

Sou filho da mãe Terra,
não vim para ficar.

Volto morrido,
para onde é meu lugar.

domingo, 16 de agosto de 2009

Só prá lembrar

"E ainda que nem sempre
eu tenha entendido
minhas culpas e fracassos
sei, para compensar,
que, em seus braços,
o mundo tem sentido".

Mário Benedetti - Todavia

terça-feira, 30 de junho de 2009

Como deve ser

"...Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."

O Guardador de Rebanhos - Poema Segundo - Fernando Pessoa

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Eu e o mundo..

"Sou do tamanho do que vejo,
e não do tamanho da minha altura"

Antônio Caieiro
 
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