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quinta-feira, 26 de março de 2009

Gran Torino e o Arquétipo de Áries

Fiquei devendo uma outra abordagem do filme, e como promessa é dívida, chamei o meu amigo Dr. Google para me ajudar na pesquisa sobre o tema.

Uma das abordagens que gostaria de fazer é bem dentro da minha área.
Vi o filme também como uma manifestação política de uma realidade econômica.
E qual seria essa abordagem econômica?

Se a gente observar bem, o Sr. Kowalski representa um Estados Unidos que não resiste mais.
Um país de grandes indústrias, forte, imponente, soberano, imperialista, representado pelo jeito durão, seco, severo e de poucos amigos do Sr. Kowalski.
Essa Velha América tem que se render ao novo. Aos novos carros, novos povos, à miscigenação. Essa Velha América está falida, com uma ditadura do mais forte que já não encontra amparo no Mundo Novo.
E ela se reconhece no ocaso e se alinha com o sacrificio de morrer para que uma Nova América se coloque no lugar.

Mas, o estudo da Filosofia e da Astrologia também me permitiu uma visão mitológica do filme.
Estou falando dos arquétipos, que podem ser considerados a base e a motivação de toda a vida psicológica, individual e coletiva. Enquanto a mitologia dá ênfase às manifestações culturais dos arquétipos, a astrologia utiliza os próprios princípios arquetípicos essenciais como sua linguagem, para poder compreender as forças e as configurações presentes tanto na vida individual quanto na cultural.

E o Sr. Kowalski representa o Arquétipo de Áries.
Áries, na astrologia, representa a coragem, a independência e a ousadia, por um lado. Mas representa também a inconsequência, a impaciência, a imprudência. Todos esses traços a gente reconhece no personagem principal de Gran Torino.
Ele é a personificação de Áries.
É o impulso que rompe a inércia, que se lança frente aos desafios, remove os obstáculos e atinge o fim esperado. Ele aceita os riscos, os desafios, porque acredita no seu ideal, no seu sonho, no seu objetivo.

Bem, é mais ou menos por aí....não sou especialista nem em astrologia,
muito menos em mitologia.

Vale, ao final, deixar uma mensagem que achei nas pesquisas e gostei muito. Vem de Horácio:

Multa renascentur, quae jam cecidere cadentque,
Quae nunc sunt in honore..

Tecla SAP:

Muitos que estão enterrados há longo tempo ressurgirão,
e muitos que hoje estão cercados de honras, submergirão.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O erro do segundo mandamento

Tem um erro no segundo mandamento.
Ama ao próximo como a ti mesmo, diz a Tábua da Lei.

Mas, e como é que eu me amo???
Será que devo mesmo levar ao próximo o amor que tenho para comigo???
Fui assistir Gran Torino e saí de lá com essa dúvida.

O filme é fantástico, como são fantásticos todos os filmes do diretor Clint Eastwood.
"Pontes de Madison" e "Sobre meninos e lobos" são os grandes exemplos desse Senhor das Emoções.

O carro, que dá nome ao filme, é a real expressão da necessidade de manutenção das coisas.
Ele, Sr Kowalski, um ex-funcionário da Ford, retira da linha de montagem um Gran Torino, para preservá-lo na sua garagem.
Ele não quer que as coisas mudem. Mas se vê sufocado por tantas mudanças que a vida lhe traz.

A guerra muda sua vida, sua perspectiva de família, sua visão de mundo.
Sua vizinhança muda, saindo seus antigos vizinhos e chegando imigrantes Hmong, do Laos.

Mas, no meio desse caos, seus princípios não mudam.
Ele se recusa a ser visto como um inválido pela família, e demonstra sua força quando percebe que a injustiça toma conta do bairro.


Um homem amargo, com tristeza nos olhos, cansaço na voz e peso nas pernas.
Um homem envelhecido, sem motivos que lhe justifiquem esperar o dia seguinte.
Um homem preso ao passado, que lustra o carro que não usa e que mora num lugar que já não reconhece como seu.

Mas um homem que reconhece o valor da amizade, do respeito, da admiração.
Um homem que tem guardado dentro de si seus valores, não esquecidos.
Um homem que sabe o tanto que somos responsáveis por aquilo que cativamos.
É a redenção de um homem, salvo por seus mais nobres princípios.

Esse homem entrega sua agora curta vida, para que outros a tenham em plenitude.
Esse homem resgata um segundo mandamento, que muitos de nós não deveriamos estar professando.

Não por falta de amor ao próximo, mas por falta de amor a nós mesmos.
 
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