sexta-feira, 13 de novembro de 2020

O MEDO DA MORTE

O medo da morte é o medo de não ter vivido plenamente.
A vida verdadeiramente vivida aceita o designo do tempo. 

sábado, 4 de janeiro de 2020

O DESMANCHE DO NINHO

Uma vez ouvi uma história sobre a águia e seus filhotes. Tendo chegado a hora, a águia, que faz ninho sempre no alto de penhascos, leva seus filhotes até a borda e dá um "empurrão", obrigando-os a usarem as asas, até então sem função. Esse empurrão os leva para a liberdade, para a próxima fase da vida, tornando-os senhores do céu.

Quando ouvi esta história fiquei me perguntando sobre o ninho. Ele é abandonado? Deixado lá, sem função? Ocupando um espaço onde poderia ser criado outro ninho? 

Não seria melhor se a águia fosse, graveto por graveto, folha por folha, destruindo o ninho? Isso não levaria os filhotes a terem que se virar sozinhos?

Talvez! Mas cheguei a conclusão que seria perverso por parte da águia se ela fizesse isso. Ela não estaria dando uma direção, não estaria orientando os filhotes. Estaria, sim, desamparando-os, sem que eles entendessem qual o significado daquilo.

É como a Sindrome do Sapo Fervido. Colocado na água fria e deixando a água aquecer o sapo morre fervido porque vai se acostumando com a temperatura da água. Mas jogue o sapo numa água fervente e verá ele saltar de lá imediatamente.

O que eu quero dizer com isso? Às vezes nos acostumamos com uma situação. Até a procuramos. Ela é nossa meta. Mas, uma vez lá, não notamos as alterações que acontecem. Ainda achamos que estamos no lugar que sempre buscamos, mas ele já mudou. Com pequenas alterações, até provocadas por nós mesmos, por nossa interação, o que era um objetivo deixa de ser. O que era para ser bom deixa de ser. O que era para ser o ponto final se mostra como apenas mais uma etapa.

Hora de pular no vazio, bater as asas que já tinhamos esquecido para que serviam e alçar vôo. Olhar para o penhasco e se despedir do ninho, agradecidos pela acolhida de algum tempo.

Mirar novos desafios, se alimentar de esperança e voar.

Não é para ser bom ou ruim. Não é para ser certo ou errado. 
É apenas a vida, seguindo seu curso.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A CIDADE DESERTA

Diferente das cidades do interior, minha cidade é movimentada. Como toda Capital, um caos. 
A gente se acostuma. Os ruídos da cidade entram em nós e passamos a não mais ouvi-los. Os barulhos são pedaços da cidade. 
Por isso mesmo é que no Natal e Ano Novo a cidade me assusta. Não pelos barulhos. Pelo silêncio.
A cidade para, as ruas ficam desertas. Todos, unidos, em família, estão na expectativa da comemoração.

O que eu faço nessas datas? Eu rezo, eu choro, eu me defino.

Essa época do ano, há muitos anos, tem sido uma data triste.

Eu ainda não consegui achar uma fórmula para viver a sua plenitude. Eu sei que deveria ser grato por estar vivo, por ter saúde, por ter família e amigos, mas algo em mim não funciona assim.


Sim, sou grato. Não só no Natal, mas em todos os dias do ano. Sou grato por estar vivo, por ter saúde, pelos meus amigos e por ter uma linda família. Mas, no Natal? É diferente.


No Natal eu sinto falta. A falta daqueles que se foram. Sinto a ausência, o vazio. Sinto como se todos os demais dias fossem dos outros, para que esses dias, o Natal e o Ano Novo, sejam meus. Não meus, mas dos Meus Ausentes.


Eles olham para mim e me vêem como ninguém vê. Eles me conhecem mais porque estão dentro de mim. Para eles, não há segredo. Eles sabem quem sou, o que sou, o que penso.

Nessas datas eles se manifestam e conversamos. Conversamos sobre quem sou e o que ando fazendo. Sobre o que fiz da vida nesse último ano. Sobre os planos que tenho para o futuro e se conseguirei empreendê-los sendo quem sou e fazendo o que faço.

Eles não são nada fáceis. Não me dão a minima chance de justificar um deslize ou outro. Não aceitam desculpas. Mas é assim que tem que ser, é assim que eles me podem ser humanamente úteis. 

E descubro, enfim, que o silêncio da cidade deserta também está dentro de mim.




 
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