sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Duas Faces
também aparta, cruelmente, os que não ousaram se fazer iguais."
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Não digas nada
Nem mesmo a verdade.
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender.
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã,
Em outra paisagem,
Diga que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada.
Mas ali fui feliz,
Não digas nada!"
Fernando Pessoa
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vende-se Casa
Há quem não acreditasse que eu tomaria essa decisão.
Pois é, tomei.
A casa é muito confortável e espaçosa.
Daqui, a lua nascendo é um convite ao vinho, ao aconchego, ao amor.
De manhã, o sol nem pede licença para entrar, mas antes, pede aos passarinhos que anunciem a sua chegada.
As romãs, amoras, pitangas e o figo cuidam de dar um sentido de vida fluindo, de coisas acontecendo, de compotas e geléias da minha mãe.
Perto daqui tem muito verde, muita água. E é só virar à esquerda para se sentir o vento e curtir as trilhas com a bike.
O condomínio é muito seguro, com vigilância constante, e a gente sente que os perigos estão longe daqui.
Mas alguma coisa mudou.
De repente, os muros do condomínio já não dividem espaços. Sinto que passaram a dividir o tempo.
E o que antes era dentro e fora, passou a ser passado e futuro. E o futuro, pelo que tudo indica, está para além dessas paredes.
Não dá mais para ficar aqui. Vou me mudar de mim.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Deixa Fluir 4 - O aprendizado
“ Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém.
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi que se pode passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi...Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi... Que em alguns momentos difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.
Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”
William Shakespeare
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Deixa Fluir 2 - O Retorno
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Frases Oportunas 2
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Frases Oportunas
O mundo está cheio de indiferentes, mas eu não ligo.
O que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Hoje restam poucos de nós.
sábado, 19 de janeiro de 2008
De tudo, ao meu amor serei atento
Recebi por esses dias uma apresentação sobre a Terra e sua perspectiva em relação a outros planetas e estrelas. Para encurtar a conversa, em determinadas situações a Terra não passa de um pixel - coisa ínfima - quando comparada a algumas estrelas.
Tudo no universo faz parte de um móbile, um grande móbile. Mesmo que não saibamos, vejamos ou desejamos, uma estrela que se desloque alguns quilômetros de sua posição atual pode alterar todo o equilíbrio desse universo, e a Terra pode ser literalmente “sugada” pela força que essa pequena aproximação pode causar.
E o que somos, o que representamos nisso tudo? Nada? Menos que nada? Não pode ser. Mas, em muitas das vezes, é assim que nos sentimos: pouco ou nada. Indefesos e insignificantes até que, tenhamos dentro de nós o sentimento de amor.
Amor por alguém, amor por nós mesmos, amor pela vida, pelo mundo, pelo outro. O amor nos consola, nos multiplica, divinifica nossas ações. Com amor, e por amor, aceitamos as tribulações, resolvemos os problemas, superamos obstáculos, ampliamos a própria noção de nós mesmos, do mundo, do universo.
Estive um dia desses com um grande amor. Conversamos e a química que tanto nos fez superar obstáculos para ficarmos juntos ainda se fazia presente. Relembramos momentos que não acreditávamos termos passado e superado juntos. Relemos bilhetes de amor, de promessa, de futuro. Foi um encontro de gratidão com a vida, com o que vale a pena. Foi uma renovação da fé na vida e no amor.
O amor se processa em tudo. Num telefonema que recebo e que nem percebo os quase 90 minutos que ficamos conversando. E ela sempre dizendo que minha vida está ótima, que sou um felizardo. “Seu amor é a minha cura, é doce paixão” como diz a Claudinha do Babado Novo. Acho que nunca falei isso pra ela, mas vou dizer, para que ela saiba o quanto ela e o que ela faz e diz é importante para mim.
Há uns dias, logo na segunda dezena de dezembro homenageei uma pessoa muito importante numa fase da minha vida. Pensei muito antes de o fazer, afinal já havia se passado alguns anos. Mas nem eu mesmo tinha me dado conta do tanto que havia amado, fato que só reconheci há pouco tempo, fazendo uma revisão na minha história. A gente tem essas coisas de tentar negar o amor, né? Pois é, me enchi de coragem, me preparei para não receber nenhuma manifestação da outra parte (até garanti para ela que não precisava) e fui à luta. Homenagear o amor é uma coisa fantástica. Foi muito bom para mim, além de ter conseguido resgatar o sentimento em toda a sua intensidade. Não sei o que isso representou para ela porque não recebi nenhum retorno, mas me senti em paz e honesto com o meu coração.
Precisamos disso, de estarmos atentos ao amor. Não só à pessoa amada, mas ao sentimento de amar. Estar atento ao amor. Amor de mãe, de irmão, de amigo, amor de um dia, amor para a vida toda.
Nas férias, estive com meu irmão exatamente resgatando esse amor que nossas personalidades nem sempre cuidaram de preservar. Foi muito bom. Nos respeitamos e garantimos que, além das maneiras de viver, dos pontos de vista, das percepções diferentes de mundo, somos irmãos, temos um sentimento comum de amor e reconhecemos que ele, o amor, deve estar acima de tudo. Pronto! Estamos em paz. E isso resgata também todo o propósito de vida que nossa mãe sempre colocou para nós: Amar a vida e vivermos bem entre nós, nos respeitando e nos apoiando mutuamente.
Hoje estou na casa de minha irmã. Aqui, ela se desdobra para que eu me sinta bem, para que eu me sinta em casa. E é assim que me sinto aqui. Em casa, acolhido, aceito, em paz. E muito mais que a presença dela, o amor que nos une garante que seremos eternos um para o outro.
E então? E se Antares resolver dar uma aproximada da Terra? Fazer o que, né? Devemos é estar cientes de que nossa vida vale a pena, por cada segundo que vivemos, por cada pensamento que produzimos, por cada gesto que expressamos. E se o amor estiver no nosso propósito tudo isso será verdade porque, naturalmente, cada pedaço nosso estará refletindo nossa essência.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Sobre o Tempo
Não é preciso ter pressa, mas aconselha-se não perder tempo.
Não tenha pressa de crescer, mas não perca tempo com miudezas.
Não tenha pressa para aprender, mas não perca tempo com lições de moral.
Não tenha pressa para construir uma amizade, mas não perca tempo com olás ocasionais.
Não tenha pressa para amar, mas não perca tempo patinando sem sair do lugar.
A pressa serve para concluir, o tempo, para desenvolver.
A pressa atropela, o tempo desliza.
A pressa é cega, o tempo enxerga longe.
A pressa esconde, o tempo mostra.
A pressa esfria, o tempo aquece.
Compre bons livros, mas não tenha pressa em terminá-los.
Amadureça a cada dia, mas não tenha pressa em envelhecer.
Entenda, definitivamente, que:
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
NAQUELA ESTAÇÃO
Incongruências
Eu sou montanha, você é mar..
Eu, trilha. Você, quadra.
Eu, jazz e blues. Você? Samba e Axé.
Eu, vinho. Você, chopp.
Eu, teatro. Você? barzinho.
Como poderia dar certo?
Eu, amor. Você, paixão.
Eu, prá sempre. Você, por enquanto.
Eu, "te espero". Você? "Até logo".
E mesmo assim, te amei tanto!!!
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Lições para a Vida
2. Decore o seu poema favorito.
4. Quando você disser "Eu te amo", seja verdadeiro.
Esta é a melhor satisfação da riqueza.
45. Usufrua o amor e a culinária com abandono total.
domingo, 21 de outubro de 2007
Um é um. Dois é mais que dois.
O “eu” que vive em mim já é mais do que o “eu” sozinho, porque é mais feliz, menos ranzinza, menos egoísta. É um “eu” incondicional, que pensa o mundo e não somente a jurisdição do meu olhar. Um “eu” que sonha. Não é legal?
Tem também outro “eu”, o que vive em você, o meu “eu” melhorado. Ele é mais vitaminado, enriquecido pela abordagem que você dá ao meu pensar. Penso, manifesto, você analisa e amplia. Olha aí o meu “eu” melhorado. Ele é filtrado pela forma como você vê o mundo. Quanto mais nos identificamos, mais o meu “eu” melhorado cresce. Também pode acontecer dele ser diminuto, se nossa relação não é boa. Ele se torna dividido, pequeno, castrado. Esse “eu” morre logo, mas o normal é a relação morrer antes. Ninguém agüenta um “eu” castrado.
E o “nós”? Já parou para pensar sobre o “nós”? Ele representa tudo aquilo que nem sou eu nem é você. Aquilo que nasce com o nosso relacionamento, com o nosso gostar. “Nós” só existe a partir de dois “eus” melhorados. É a ausência do egoísmo, do personalismo, da obsessão. É a expressão do amor, quando dois “eus” se fundem. Não é fácil achar isso. Mais fácil é achar muitos pares de “eus”.
Então, soma aí: Quando você se relaciona você não é mais um. Você é....três. O seu “eu”, o “eu” melhorado e o nós. E você e a pessoa amada não formam um casal. Tem o seu eu, o eu do outro, os “eus” melhorados (um de cada um) e o “nós”. Claro que só vai ter um “nós”, né? Se tiver dois, alguma coisa está errada.
Dois “nós” são como dois relógios. Quem usa dois relógios nunca sabe a hora certa e quem tem duas agendas acaba perdendo compromissos. Dois olhos e duas imagens também não dá certo.
Dois olhos e uma só visão. Assim é o “Nós”. Só pode ter um.
Por fim, esqueça toda a brincadeira matemática de somar “eus”. O mais importante é que um “eu” é pouco, e um “nós” não é a soma de dois “eus”. Mais simples, impossível.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Que é autoridade?
Fiquei dividido entre responder um mero "sei lá" e deslanchar uma tese de doutorado. De relance, entre um e outro, me lembrei da Hannah Arendt. Lá pela página 127 do seu livro ela diz: Não existe mais autoridade. Depois conserta um pouco: Talvez exista, mas só a autoridade dos pais já que "é uma necessidade natural, requerida, obviamente, tanto por necessidades naturais (o desemparo da criança), quanto por necessidade política (a continuidade de uma civilização estabelecida, que somente pode ser garantida se os que são recém-chegados por nascimento forem guiados através de um mundo preestabelecido no qual nasceram como estrangeiros)".
Coloquei umas aspas porque o pensamento e a idéia são dela, mas acho que o texto original não está da forma que escrevi.
Bacana isso! Concordo com ela. Mas discordo quando ela diz que, no mais, a autoridade acabou.Acabou nada!!! Talvez, a autoridade constituida, a por decreto, e é bom mesmo que tenha acabado. Aliás, nunca a respeitei na íntegra.
Acredito na autoridade de quem sabe o que faz e o que fala. Reconheço autoridade em quem demonstra o conhecimento e a competência para que eu possa, não cegamente, me orientar por seus ensinamentos.
Assim, claro que existe autoridade. E como é que as coisas se processam? Você procura quem sabe, ou diz que sabe, e dá um voto de confiança, como fazem aqueles softwares que nos permitem usar por um tempo para conhecer sua funcionalidade. O chamado "demo". Passado o prazo, ou o merecedor da condição de autoridade diz a que veio ou você trava o sistema, e não permite que ele(ou ela) fique verbalizando abobrinhas.
Voltando a Hannah Arendt, concordo com ela de que a autoridade constituida acabou. Ninguém dá uma procuração sem prazo de validade. Na política, damos procuração nas urnas mas já não aceitamos ser por 4 anos. Não disse a que veio, não materializou as propostas, colocamos a oposição para dar um jeito neles. É assim a democracia.
Então a conversa evoluiu e o passeio foi ótimo. Nem me lembro qual era a paisagem fora do carro. Só sei que terminamos o passeio mais cultos e evoluidos, com novas visões de autoridade:
aquela que detém o conhecimento (que para mim é a mais válida), a autoridade para com os filhos (que não nos alongamos porque a Hannah Arendt é fácil de pesquisar no Google) e a autoridade requerida; aquela que se pede um voto de confiança para realizar coisas nas quais acreditamos e que, graças a Deus, teve seu prazo bem reduzido.
E viva a democracia, que nos permite negociar a troca de autoridade entre os poderes, para evitarmos o mando indevido, a autoridade cega, o autoritarismo.