quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MAIS UM DE MUITOS DIAS

Não dói. Não me angustia nem me desespera.
Apenas sinto. Lembro. Sonho. Fantasio.

É como um mundo paralelo. Um sair de mim.
Não sou eu e, ao mesmo tempo, sou eu inteiro.

Não posso fazer nada. E mesmo que pudesse, não ia querer. Não avanço nem desisto.

Sou um Dom Quixote, a lutar com moinhos.
Só.

Nos meus devaneios sou feliz.
Fora deles, tudo soa muito estranho.

Dulcinéia já não mais existe.
Ela existiu. Só não sei se foi Dulcinéia.

Ela sabe? Também não sei.

Melhor que não saiba. Não sinta.
Não quero nada além do que já tenho.

Não quero compreensão ou perdão.
Não quero nenhum sentimento.

Sou como alguém que olha a estrada a sua frente e decide segui-la.
Não porque ela tenha um destino, mas seguir a estrada tem um propósito. O propósito de seguir a estrada.

Seguir a estrada é estar em movimento.
Ter tempo para viver e pensar.

É estar vivo.
E estar vivo é não ver moinhos nem dulcinéias.

Me guio pelas margens da estrada.
Elas também não vão à lugar algum.

Elas seguem a estrada e permitem que a estrada exista.
Sem as margens não há estrada.


Será que existe um propósito em recordar?

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