Blog do JotaBê

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MAIS UM DE MUITOS DIAS

Não dói. Não me angustia nem me desespera.
Apenas sinto. Lembro. Sonho. Fantasio.

É como um mundo paralelo. Um sair de mim.
Não sou eu e, ao mesmo tempo, sou eu inteiro.

Não posso fazer nada. E mesmo que pudesse, não ia querer. Não avanço nem desisto.

Sou um Dom Quixote, a lutar com moinhos.
Só.

Nos meus devaneios sou feliz.
Fora deles, tudo soa muito estranho.

Dulcinéia já não mais existe.
Ela existiu. Só não sei se foi Dulcinéia.

Ela sabe? Também não sei.

Melhor que não saiba. Não sinta.
Não quero nada além do que já tenho.

Não quero compreensão ou perdão.
Não quero nenhum sentimento.

Sou como alguém que olha a estrada a sua frente e decide segui-la.
Não porque ela tenha um destino, mas seguir a estrada tem um propósito. O propósito de seguir a estrada.

Seguir a estrada é estar em movimento.
Ter tempo para viver e pensar.

É estar vivo.
E estar vivo é não ver moinhos nem dulcinéias.

Me guio pelas margens da estrada.
Elas também não vão à lugar algum.

Elas seguem a estrada e permitem que a estrada exista.
Sem as margens não há estrada.


Será que existe um propósito em recordar?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

MINHA REFLEXÃO SOBRE DEUS

Agora quero agradecer a Deus.

Não quero pesa-Lo com meus pedidos, com minhas súplicas.
Nem quero agradecê-Lo pelas minhas vitórias, ou pela raça humana. Nada disso.
Quero AGRADECER, sem adjetivos ou complementos nominais.
Quero, simplesmente, DAR GRAÇAS.

Se fosse falar da vida, tenho minhas restrições, meus reclames, minhas sugestões de melhoria.

Então, não quero falar da vida.

É difícil fazer algo e deixar que "esse algo" siga seu caminho.

Eu, pelo menos, me sinto DONO daquilo que faço. Deus, não. Fez, e pronto. Deixou que tudo seguisse seu rumo.

Acho isso incrível. Acreditar de tal forma na sua criação que a considera digna da liberdade, da independência.

Isso sim é ser Deus.

Fico pensando como Deus deve ter se sentido. Está criado e pronto. Tome liberdade e faça da vida o que você bem quiser. A vida é sua. Dei ela para você. Então, não tenho porque ficar aqui ouvindo suas preces ou lamentos. Suas dúvidas ou certezas. Seu agradecimento ou reclame. Assuma a vida que lhe dei. É sua.

Isso sim é ser Deus.

E ai algumas pessoas decidem por "interpretar" Deus. Ele quiz dizer isso ou aquilo. Quer algo de nós, em troca do que nos deu.

Será? Teria mesmo essa barganha? Digna do mais mesquinho dos seres humanos?

Não. Não acredito que Deus seja assim.

Reduzir Deus ao nível de nossos interesses mundanos é pecar contra a Criação. É reduzir Deus à uma condição medíocre.

Quero Agradecer. Dar Graças.

Porque Deus, na minha concepção, é maior do que as melhores interpretações a Seu respeito.

Deus, é.

Simples, assim.

sábado, 14 de outubro de 2017

ESCRITA


Quando a maciez da pena toca a folha, 
não é a maciez da pena que toca.
Antes, é a tinta que  corre e divide espaço entre a pena e a folha.

Depois, a pena se vai e a folha fica.
A pena busca novas folhas e a folha, não é mais simples folha.

A folha agora é o conhecimento,
gravado na folha pela tinta que, singela,
abraça o papel.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

NO LIMITE ou NO LIMITS

Tenho visto e ouvido muitas manifestações sobre várias questões artísticas. Do Oiapoque ao Chui, passando pelo Palácio das Artes e indo até o Centro Cultural Santander.

Muitos se colocam perplexos pela censura a determinados tipos de artes, vindo de artistas que "não foram compreendidos".

Entendo o ponto de vista e até o alcançaria se me permitissem também colocar que o "artista" de Janaúba também não foi compreendido.
Ah, mas ele ateou fogo em crianças. Isso não se faz.

Ora, ninguém está discutindo a obra e sua significação, mas sim o reflexo dela na opinião das pessoas. E em todos os casos, incluso Janaúba, o ato foi acima da compreensão das pessoas e estas se manifestaram.

O que é arte? O que é um ser humano incompreendido? O que se é permitido ser e fazer?
Se tudo é permitido, estamos reclamando do quê?

Se nem tudo é permitido, quem é que permite? Onde está a regra, a lei?

A regra está naquilo que a sociedade admite ou não, correto? E quem é a sociedade?

Recorrendo à Wikipédia, " Em sociologia, uma sociedade (do latim: societária, que significa "associação amistosa com outros") é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade."

Ora, então há uma norma, uma moda(pelo conceito estatístico). A Sociedade aceita aquilo que lhe é comum em propósitos, gostos, preocupações e costumes. Veja que o conceito excluiu Janaúba e tudo o mais que está no limite do aceitável ou além dele, na fronteira da compreensão ou além dela, do que é aceitável para a maioria.

Podemos entender que aquilo que algum dia nasceu na fronteira, no limite, pode, com o tempo, mudar os rumos, propósitos, gostos e costumes de uma sociedade. Mas serão, na sua origem, contestados.

Precisamos entender isso para entender que as manifestações que se seguiram a tudo que "excedeu" a fronteira, são legítimas.

Ah, mas a sociedade, dita hipócrita, sabe que isso existe. Sabe que tudo o que é mostrado está na internet, nos porões, nas alcovas.

Claro, todos sabemos. Mas não estão sendo "normalizadas". São o que são e ficam lá, na marginalidade, muito além do desvio padrão. Colocar isso numa exposição, numa mostra artistica é tentar "legalizar" algo que a sociedade ainda (e talvez, sempre), se manifesta contra. Se opõe.

Tese e Antítese sempre estiveram se degladiando. O mundo se alterna, evoluindo ou involuindo, segundo a sintese que se obtém dessas duas forças. Para cada opinião existirá seu contrário, para cada verdade, uma alternativa.

De artistas incompreendidos à manifestações de repúdio, vamos vivendo. O que é certo? O que é arte? O que é permitido?

O mundo segue um padrão, e a dita "normalidade" é dada por uma minoria operante ou por uma maioria enfurecida.

A civilização, como um rio, segue o curso que lhe é permitido, sulcando onde pode a terra mais frágil. É a minoria operante atuando por sobre uma maioria sem direção. Promovendo debates, expondo interesses, ousando além da norma.

Em muitos dos casos os limites são "permitidos" e novas fronteiras se abrem. A maioria não se importa quando a minoria operante atua com alguns graus de liberdade.

Mas, às vezes, a maioria se manifesta. É o estouro do dique. A água vem em enorme volume.

É a maioria dizendo o que não admite que aconteça, e aí já não importa se é pau ou pedra, se tem ou não tem caminho. O caminho se faz segundo a maioria.



Opiniões e contra-opiniões movem o curso da história, mas sempre, como disse QUINCAS BORBA, Ao Vencedor, as batatas

domingo, 23 de julho de 2017

ENCONTREI NARCISO E ELE NÃO ME PARECEU UMA PESSOA SAUDÁVEL

As vezes pego meu cachimbo e ambos, ele e eu, nos colocamos a pensar.
Num dia desses, acabamos por nos ver pensando sobre a encruzilhada do gostar, do amar, da paixão. E me coloquei a perguntar o que procuramos nas relações.

Estamos em busca de nossos desejos?
Queremos nos completar no outro?
Buscamos compreender e ser compreendidos?
Uma companhia para as aventuras ou diversidades da vida?

O que buscamos ao nos "aprisionar" no outro?

Buscar desejos é complicado porque, saciado um, outro imediatamente aparece do nada. Desejos serão eternos na nossa vida, e nos ajudarão a fazer da vida algo divertido ao buscar realizá-los. Então, ter uma relação para realizar desejos não só é muito complicado como também, contraproducente. 

Nos completar no outro é também complicado. Mesmo que nos aproximemos do outro por ver nele coisas que não temos, o convívio nos fará "zerar" essa lacuna. Algo como a convivência do preto com o branco vai terminar em duas pessoas cinzas. E daí? O que vem depois? Eu me completei com o que vi de bom no outro, mas isso não quer dizer que estamos completos. Muito menos realizados.

Buscar compreender e ser compreendido acho que é parte da convivência. É fundamental para que uma relação exista, mas não é só isso. Ser sempre compreendido ou sempre compreender não me faz crescer. Não me engrandece como ser humano. Ir para frente exige um pouco de atrito, senão estaríamos "patinando" sem sair do lugar. É preciso ter "aderência".

Enfim sobrou "uma companhia para viver as aventuras e adversidades da vida". Será? Então não estamos buscando uma relação, mas uma testemunha ou, na pior das hipóteses, um cúmplice.

É verdade que alguém a mais irá nos fazer seguir em velocidade diferente da que teríamos se estivéssemos sós. Também nos fará viver coisas que, talvez, não fosse nossa opção se estivéssemos sós. Poderíamos fazer um esforço enorme para conhecer e entender uma pessoa que, nesse mesmo tempo, estaria mudando, e crescendo, e se desvencilhando de conceitos que estaríamos prestes a aceitar.

Uma relação, portanto, é a coragem de sairmos de nós, de irmos além do nosso olhar, do nosso querer, do nosso ser. 

É ir além da nossa angústia, do nosso desejo, do nosso temor. Construir uma relação é, em grande parte, esquecermos de ser só nós. 

Para isso é preciso estar pronto. Se conhecer nas carências e necessidades, mesmo que nunca venhamos a reconhecer que elas existam ou mesmo enumerá-las. É buscar o outro não por aquilo que nos falta, nem por aquilo que podemos completar, mas, fundamentalmente, por aquilo que, juntos, possamos empreender, enquanto cada um se completa, à sua maneira, no seu tempo.

Enfim, é descobrir que não podemos olhar para nós ou para o outro somente. É preciso olhar além.

Somos seres em mutação, num mundo que se transforma a todo momento. Somos incertos porque evoluímos e nada que seja próximo de uma definição ou conceito serve para nos definir. Mudamos com a experiência e o que queremos ser, também muda com a experiência adquirida. Como uma cebola, vamos construindo cascas e mais cascas em volta de nosso núcleo e, assim como ela, ao nos desnudarmos acabamos descobrindo que não somos muito mais que nossas cascas, nossas experiências, nossa vivência do mundo.

Encontrei Narciso e ele não me pareceu uma pessoa saudável porque estava só, preso na armadilha de se apaixonar por seu reflexo, de se bastar a si mesmo sem nem ao menos se conhecer. De achar que nada mais existe ou pode existir além dele.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

DA LIÇÃO DO TEMPO

Não, não deixe ao tempo a tarefa de lhe ensinar.
O tempo é um professor severo.
Sempre a lição virá acompanhada de dor e arrependimento.

Não, não deixe o tempo lhe ensinar.
O tempo lhe rouba a oportunidade de aprender por si.
Lhe rouba a virtude de ter conseguido.

Não, não deixe o tempo lhe ensinar.
O tempo lhe cobrará eternamente a lição
De não ter tido tempo para mudar por si só.

E lhe dirá, não sem dor,
Desista! Mude! Aprenda!
ou sofra.



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

DA RELATIVIDADE DE TUDO

Descobri várias coisas pela vida. 
Tenho marcas de muitos dos aprendizados.
Dores de perda, dores de arrependimentos.
Partidas antes da hora, precipitadas. Encontros indevidos.

Descobri várias coisas pela vida.
Mas a maior descoberta, a que mais me marcou, é saber que,
Na verdade, o tempo não passa.... Nós é que passamos.

domingo, 25 de setembro de 2016

CONVERSAS MUDAS

Tenho muita coisa a lhe dizer. À noite, embalado pela insônia me pego a pensar em nós dois. O quanto sou feliz ao seu lado, o quanto a admiro.
Corro a mão por seu corpo de uma forma bem suave, quase mentalmente. Já chega um de nós estar acordado.
Me prometo dizer tudo pela manhã. Procuro dormir.
De manhã, a rotina nos engole. Já estamos atrasados. Não cabe essa conversa.
Passam-se os dias e eu vou nas minhas  insônias, tendo essas conversas mudas com você.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Será????

"Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você.
Não é me dominando assim que você vai me entender.
Posso estar sozinho, mas eu sei muito bem aonde estou.
Você pode até duvidar, mas acho que isso não é amor.


Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação?

Serão noites inteiras. 
Talvez por medo da escuridão ficaremos acordados,
 imaginando uma solução prá que nosso egoísmo não destrua nosso coração.


Será só imaginação?

Será que nada vai acontecer?
Será que tudo isso foi em vão?
Será que vamos conseguir vencer?"


(Será - Legião Urbana)

terça-feira, 3 de maio de 2016

DA INCRÍVEL ARTE DE SER CONVIDADO


Muito se fala da necessidade de vencermos na vida, de estarmos na frente de combate, de lutarmos por uma causa.
De não sermos omissos e nos posicionarmos firmemente.

Incrível isso, não é mesmo? Também acho incrível.

Mas tem uma outra arte a ser compreendida e valorada.
A Arte de Servir e a Arte de Ser Convidado.

Da Arte de Servir já falaram muitos. O tema é base de fé de muitas religiões.

Mas, e da Arte de Ser Convidado, hem? Quanto já ouvimos falar?

Primeiro é preciso entender. O que se quer dizer por “Ser Convidado”?
Esclarecendo, não tem nada a ver com “como conseguir ser chamado para algo”.

Ser Convidado é estar em algum lugar sem o direito de impor critérios ou parâmetros.
É Estar sem Ser. É saber conviver com o “status quo” ou mesmo dele fazer proveito sem estar nele de fato.
Quer um dito popular? “Sapo de fora não chia”.
Pronto, está explicado o termo. Mas qual a Arte em “Ser Convidado”?

Saber entender valores e saber se portar segundo eles.
Se você está ali e PRECISA estar ali, entenda sua necessidade e saiba se portar segundo ela. Vai reclamar de quê? Vai questionar o quê?
Entenda que você PRECISA estar ali. Você é PASSIVO na relação e já está bom demais PERMITIREM que ali você esteja.
ORGULHO? VAIDADE? VALORES? Esquece isso. Sua NECESSIDADE é maior que tudo isso.
FIQUE ALI E PRONTO.
Mas “Ser Convidado” ou se portar como tal não é algo singular. Algo de uma única faceta. (Eu disse que o tema era uma Arte e, por isso, complexa).

Você pode estar alí por VONTADE, por QUERÊNCIA.
Algum valor o colocou ali e ali você permanecerá, até que esse valor se dissolva, se acabe.
Você não está ali porque CONQUISTOU O DIREITO DE ESTAR ALI. Isso não existe em algumas situações.
É fácil, como JÚLIO CÉSAR, dizer: VIM, VI,  VENCI,  em se tratando de uma batalha tal como Zela.
Mas isso não é SER CONVIDADO. Pode ser uma Arte, mas sem sutilezas. Uma Arte da Guerra, na verdade.
A ARTE DE SER CONVIDADO  é estar em sintonia consigo e com seus valores. Deixar que as coisas aconteçam sem interferir no modo como elas acontecem.

Sem se importar? Claro que não. 
Mas sem se impor. Estar alí até que o dia termine, até que a noite aconteça, até que tudo se acabe, até que nada mais floresça. 
Estar ali até que o valor de estar ali se perca.



quinta-feira, 21 de abril de 2016

NUNCA AOS DOMINGOS

O título não é original. Roubei de um filme NEVER ON SUNDAY.
O texto não tem nada com o filme. Nenhuma conexão, só coincidência.

Tenho postado coisas QUASE no momento em que acontecem. 

As vezes o sentimento demora a virar letra, outras vezes vira logo, num rápido espasmo.
Mas mesmo assim, me atraso no postar. 
Não quero que a leitura me devolva o sentimento que, tendo virado escrita, não deveria voltar a ser sentimento. Pelo menos para mim.

Claro, vai ser sentimento para os outros, para quem ler, 

para quem das letras fizer abrigo no coração.
Vai sentir quem tiver que sentir. 
Letras não movimentam sentimentos se lágrimas já não o fizeram antes.

Para mim, já foram lágrimas, já foram dores. Ao final, viraram letras.


Sempre acontece assim... mas nunca aos domingos.

Porque domingos não foram feitos para doer.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Desamizar (ou, A Culpa é do Verbo)

Tenho um amigo que não é mais.
Melhor explicando, tenho um ex-amigo. 

O que aconteceu? Desamizei dele.
Existe o verbo? Fui pesquisar. 
Claro que não existe. Existe "Fazer Amizade" e "Desfazer Amizade". 

FAZER seria Verbo de Ligação e até que estaria certo porque buscando amizades queremos fazer ligação com alguém. 

Ah! Mas a vida não é tão simples assim.

Os Verbos de Ligação indicam uma Qualidade do Sujeito e, nesse caso, não basta o sujeito ter qualidade. Tem que ter ação para que um sujeito faça amizades. 

Então, o verbo tem que mostrar Qualidade do Sujeito (que é o que os verbos de ligação fazem) e, ainda, que esse sujeito pratique a ação. 



Verbos que denotação Ação do Sujeito (e até podem mostrar a qualidade dele) são os verbos TRANSITIVOS. Pode ser Diretos, Indiretos, ou os dois. 

TRANSITIVO quer dizer, segundo o Aurélio "que não permanece, que dura pouco; passageiro; transeunte; transitório".

Agora entendi porque a amizade acabou. 


E eu aqui achando que era porque ele era chato e sistemático....kkkk

terça-feira, 15 de setembro de 2015

DA ESTRANHA ARTE DE PERDOAR

Estou eu aqui, acordado, às 5 da manhã, pensando
em como posso fazer para me perdoar.

Claro! Uma atitude egoista.
Egoista como foi depender de alguém e esquecê-la, quase que completamente,
quando passei a me sentir realizado.
Prá não ser injusto também comigo, o esquecimento tinha duas características:
Ela estava sob a guarda de pessoas queridas e de confiança;
Eu até tentei, mas não tinha como tê-la perto de mim naquele instante.

Agora me vem a condição de julgar a situação e me posicionar.
Não tenho como. Não tinha os olhos na situação.

Perdoar?
O que e a quem?
Perdoar a mim pela distância e falta de zêlo? Pela confiança excessiva?
Por uma fatalidade que pode ter sido prevista e premeditada?
Pela índole de alguém?
Não tenho como fazer isso.

Posso sim, recebê-la de volta, de braços abertos.
Posso dobrar meu carinho. Posso conviver com minha falta.
Posso olhar para ela e não esquecer do acontecido.
Posso deixar também que outros não esqueçam, quando olharem prá mim.

E fica cada um com sua falta, com sua culpa, com sua história.
E ninguém saberá mesmo o que houve, a não ser quem, pelo momento e motivação,
sabe realmente o que fez.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Minha Sanidade é Cor de Rosa

Passei por ela e sorri. Uma? Não. Milhares de vezes.
Aquele batom cor de rosa não sorria para mim.

Passei a esperar um sorriso, e acreditar que ele viria, um dia.

Sempre na mesma hora, nos mesmos dias, eu cruzava com aquele lindo batom cor de rosa.
Mas sorriso que era bom, ele não dava.

Esperar aquele sorriso passou a ser uma obsessão. Sonhava com ele.

E ele veio, calmo, tranquilo, perfeito.
Primeiro veio o olhar. O olhar me sorriu. Mas foi tão rápido, tão inesperado que acreditei mesmo que era fruto da minha imaginação.

Esperei dias até que pudesse ver aquele batom de novo. E o sorriso do olhar veio de novo.  Durou apenas um ínfimo de segundo. Aquele onde nossos olhos se cruzaram. Os olhos apenas brilharam e logo foram dirigidos para o chão. Os olhos? Lindamente tímidos.

Dos olhos o sorriso desceu para os lábios. Até que enfim aquele batom cor de rosa percebia minha existência.

O sorriso nasceu no canto dos lábios que, também tímidos, apenas arquearam um pouco. Mas eu percebi. Estava tão atento que percebi. Olhei para os olhos dela que também sorriam. Meu dia se iluminou.

Nos dias seguintes a chuva me obrigou a viver da lembrança daquele sorriso. E tanto tempo se passou que, hoje, acredito mesmo que sonhei tudo isso.

Não me importam os reservatórios, o aquecimento global, a seca na agricultura. Quero que pare de chover imediatamente. Preciso de um sorriso para atestar minha sanidade.


domingo, 8 de março de 2015

O que é o Casamento

Casamento é um processo de amputação de desejos e contribuições.
Um refrear de intenções.
É o cemitério do amor.

 
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