domingo, 7 de junho de 2009

O Leitor

Fui ver "O Leitor".
O filme é fiel ao livro. E o livro é bem escrito.
Não gostei mesmo foi da mensagem que o filme nos traz.

O filme é muito bem feito e os atores, sensacionais.
Aliás, Kate Winslet é fenomenal. Merecia mesmo o Oscar.
Suas expressões, sua postura, realmente fantástica a sua atuação.

Mas, por que não gostei da mensagem?
O personagem Michael Berg destroi tudo com sua "mágoa intransponível".
E depois dela, passa a viver a vida de uma forma pequena,
achando que sua dor é a maior dor do mundo.
Ele não consegue superar os reveses e para no tempo, se fecha, morre para o mundo.

É como o sujeito do famoso poema de Drummond:
"No meio do caminho tinha uma pedra,
tinha uma pedra no meio do caminho".

O sujeito é tão babaca que não consegue superar isso,
não consegue curtir a caminhada, não consegue ver nada além do fato de que
tinha uma pedra no meio do caminho.

Quando a gente chega ao mundo, deve fazer por merecê-lo.
Se fechar ao menor contato com a dor é ser muito pequeno, muito egoísta.
Mas se você quer fazer, que o faça sem levar outros com você.

Acho que a mensagem (tanto do livro quanto do filme)
seria válida se apresentasse uma atitude dessas
para criticá-la, para criar um contraponto. Mas isso não acontece.
Essa mesma atitude foi difundida em "Quem quer ser um milionário" (clique aqui para ler o post).

A vida não é sempre boa. Coisas ruins acontecem com todas as pessoas.
Alguns nascem orfãos, outros perdem os pais bem cedo.
Amores chegam e se vão. Não somos donos de nada.

Mas, acredito, temos a missão de nos tornarmos melhores.
E ser melhor é fazer o correto, é agir de forma responsável.
E o personagem não o fez nas quatro oportunidades que teve:
- quando no tribunal, denunciando sua condição de analfabeta;
- quando na penitenciária, marcando a visita e não comparecendo;
- quando ela pede que ele escreva, e ele se limita às fitas;
- quando no refeitório, fugindo ao contato e sendo frio.

Ela, Hanna Schmitz, poderia se esconder por detrás de toda a sua pouca cultura e escolaridade.
Ele não. Tinha família, estudos e convivia socialmente.
Ele só precisava superar, e não o fez. Não conseguiu.

Bernhard Schlink é o autor do livro. É um dos ícones da atual literatura alemã.
Talvez seja o seu estilo, a sua forma de "chacoalhar" o mundo.
Eu preferiria sair de um filme de uma forma mais elevada, querendo ser melhor,
ao invés de já me sentir melhor, por ter princípios e valores maiores dos que me são apresentados no livro e no filme.

Bernhard Schlink também é autor de "O Outro", já transformado em filme.

O filme " O Leitor" é bom? Não sei lhe dizer.
Assista e me mande sua opinião.

1 COMENTÁRIOS (Clique e Faça o Seu):

Gigliola disse...

Eu vi.
Na época do oscar já tinha lido algumas críticas sobre o filme. Todas falavam do amor "proibido".

Mas é bom lembrar que o filme ganhou 5, eu disse 5, prêmios.
* Melhor roteiro adaptado;
* Melhor fotografia ;
* Melhor atriz;
* Melhor diretor;
* Melhor filme.

Daí é fácil a gente achar coisa boa no filme, difícil é achar um filme tão bom que tenha ganho tantos prêmios no Oscar.

O que eu quero dizer é: de filme que ganha oscar não se pode esperar muito em termos de mensagem... É o caso tb do "Quem quer ser um mil...."

Mas que o filme é bom, é... concordo em nº, gênero e grau contigo.

 
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