segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Leitor 2

Achei incompleto o post sobre "O Leitor".
Não esclareci, como deveria, o que me incomodava na mensagem do filme.
Aí lembrei-me do Sermão da Sexagésima, do Padre Antônio Vieira.
Um Sermão fantástico, onde o Clérigo nos ensina o método de se fazer um sermão.

No Sermão da Sexagésima ele questiona o motivo da pregação não estar surtindo efeito entre os cristãos.
"Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus."

E ele chega a conclusão de que a culpa é do pregador. E também culpada é a pregação.
"A pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena. Quando o ouvinte, a cada palavra do pregador, treme; quando cada palavra do pregador é um torcedor para o coração do ouvinte; quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atônito, sem saber parte de si, então é a pregação qual convém, então se pode esperar que faça fruto".

Estou me valendo do Padre Antônio Vieira para reforçar o que penso da mensagem do livro e do filme.
Eu não posso ir para casa satisfeito comigo mesmo, acreditando que meus valores são maiores do que os do personagem.
Melhor seria, para meu crescimento, se eu fosse para casa confuso, atônito, acreditando que preciso melhorar para que meus princípios se aproximem do modelo de ser humano do personagem.

A Sétima Arte, eu acredito, tem um compromisso com a evolução humana. Como arte, deve sempre buscar a lapidação do ser humano.
Quer na comédia ou no drama, a manipulação dos arquétipos deve objetivar um repensar do ser humano em busca do melhor de si.

1 COMENTÁRIOS (Clique e Faça o Seu):

Gigliola disse...

Este final de semana eu vi uma peça...
Fui pra casa confusa, atônica, horrorizada, eu diria para dar maior exatidão...
Eu, preocupada com o que as artes andam fazendo com os clássicos...

 
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