terça-feira, 19 de abril de 2011

Sei tão pouco sobre o mar

Sei tão pouco sobre o mar
Nasci nas montanhas.

O muito que via
eram montes sem fim.

Talvez fossse outro
se tivesse o mar por vizinho.

Talvez mais poeta, sonhador.
Talvez mais cético, contestador.

O mar é meu desconhecido.
É algo prá além das montanhas.

Misterioso e distante.
Calmo e traiçoeiro.

O mar me dá medo e sossego. É feitiço. Se move ao sabor da lua.
Eu quieto, ele balança. Coisa doida.

Não, eu sou mesmo das montanhas.

Montanhas me aguçam o ser,
me fazem sonhar sobre o que vem depois e depois.

Montanhas me atiçam,
o mar me descansa.
Montanhas é que me fazem ir e vir.

Eu?
Eu sou o mar das montanhas.
.

Um comentário:

  1. JB...surpreendente. Você revela um sentimento tão real, tão de todos nós que vivemos entre montanhas, que vivemos essa ânsia de saber o que virá depois e depois de cada montanha.
    "O mar me dá medo e sossego. É feitiço. Se move ao sabor da lua.
    Eu quieto, ele balança. Coisa doida"
    Doideira poética... esse ficar quieto e o mar balançar - mas que é isso mesmo.
    Ótimo poema. Pelo visto nossas montanhas Drumondianas inspiraram mais um mineiro. Parabéns!!!!

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